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Exclusivo: Itamaraty diz que UE ignorou pedidos de reunião antes de barrar exportações brasileiras

Com veto europeu a produtos brasileiros de origem animal em setembro, impacto nas exportações pode chegar a US$ 2,4 bilhões

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Itamaraty afirmou que a União Europeia ignorou tentativas de diálogo do Brasil antes de barrar exportações de produtos de origem animal.
  • A decisão da UE impacta potencialmente US$ 2,4 bilhões e afeta produtos como carne bovina, aves, mel e ovos.
  • O Brasil alega que deveria ter sido informado sobre insuficiências e ter tido a chance de prestar esclarecimentos antes da medida.
  • A UE justificou a decisão pela falta de informações suficientes sobre o uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.

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Itamaraty também afirma que não há previsões sobre como isso afetará a criação de empregos Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Arquivo

O MRE (Ministério das Relações Exteriores) informou que a União Europeia ignorou sucessivas tentativas de diálogo do governo brasileiro antes de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco.

A informação consta de resposta enviada pelo ministro Mauro Vieira à Câmara dos Deputados em um requerimento de informações do deputado Tião Medeiros (PP-PR). O R7 teve acesso com exclusividade ao documento.

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Segundo o Itamaraty, a Delegação do Brasil junto à União Europeia pediu diversas reuniões com autoridades sanitárias europeias desde o início de 2026 para tratar da implementação do Regulamento (UE) 2019/6, que estabelece novas exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Os pedidos, porém, não foram respondidos. Apenas em 15 de abril a Comissão Europeia propôs uma reunião para 13 de maio — um dia depois de anunciar oficialmente a retirada do Brasil da lista de exportadores autorizados.

Na resposta ao Congresso, o governo afirma ainda que a Comissão Europeia nunca notificou formalmente o Brasil sobre eventuais deficiências nas informações apresentadas pelo Ministério da Agricultura, nem concedeu prazo para que o país corrigisse possíveis falhas antes da adoção da medida. A justificativa de que as garantias brasileiras seriam insuficientes foi apresentada apenas de maneira informal e reiterada posteriormente nas reuniões técnicas feitas após o anúncio.

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O Itamaraty sustenta que a condução do processo pela União Europeia contrariou princípios de diálogo, transparência e cooperação entre parceiros estratégicos. Também critica o caráter extraterritorial das novas regras europeias e afirma que elas impõem padrões produtivos sem negociação prévia, levantando dúvidas sobre sua compatibilidade com normas da OMC (Organização Mundial do Comércio). O ministério acrescenta que, diante da falta de esclarecimentos e da forma como a medida foi implementada, “não é possível afastar a possibilidade” de que ela também produza efeitos de natureza protecionista.

“Sob a perspectiva político-jurídica, o MRE entende que a decisão da União Europeia poderia ter sido evitada caso tivesse sido precedida de diálogo, transparência e cooperação por parte do lado europeu”, afirma em uma parte do documento.

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No texto, o ministério reforça que a medida, prevista para entrar em vigor dia 3 de setembro, tem impacto potencial de US$ 2,4 bilhões, principalmente sobre as cadeias de carne bovina, aves, mel e ovos.

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Além disso, o ministro ressalta que o Brasil deveria ter sido previamente informado sobre eventuais insuficiências identificadas pela Comissão Europeia.

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“Deveríamos ter recebido uma oportunidade adequada para prestar esclarecimentos adicionais ou complementar as garantias solicitadas antes da adoção de uma medida com impactos comerciais tão significativos.”

Proibição

A decisão, divulgada em maio, foi oficializada pela Comissão Europeia em junho e atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, produtos da aquicultura, mel e tripas. A decisão começa a valer em setembro.

Segundo a União Europeia, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

Com isso, caso o país não comprove adequação às novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal até a data estabelecida, poderá ser impedido de exportar animais vivos e produtos derivados ao mercado europeu.

No entanto, apesar das reclamações brasileiras acerca da falta de diálogo, na época a UE declarou ao R7 que estava mantendo conversas com as autoridades do Brasil para abordar a questão. “Uma vez demonstrado o cumprimento, a UE poderá autorizar as exportações”, informou.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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