Jornal denuncia uso de armas químicas na Síria; França analisa amostras
Internacional|Do R7
PARIS, 27 Mai (Reuters) - As forças sírias leais ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, usaram repetidamente armas químicas contra os rebeldes, segundo testemunhos de primeira mão publicados no jornal francês Le Monde, e a França disse que analisa amostras de supostos elementos de tal armamento.
Em notícia publicada nesta segunda-feira em sua página na Internet, o jornal disse que um de seus fotógrafos havia ficado com visão turva e dificuldades para respirar durante quatro dias após um ataque em 13 de abril na frente Jobar, no centro de Damasco.
O governo de Assad e os rebeldes que lutam para derrubá-lo se acusaram de usar armas químicas. Investigadores da ONU estão prontos há duas semanas para investigar o caso, mas disputas diplomáticas e aspectos de segurança atrasaram sua entrada na Síria.
Infiltrado na área de Damasco durante dois meses junto aos rebeldes, um repórter e um fotógrafo do Le Monde disseram que viram ataques químicos no campo de batalha e também conversaram com médicos e outras testemunhas sobre as suas consequências.
Os jornalistas descrevem homens tossindo violentamente, com forte ardência nos olhos e contração de suas pupilas.
"Logo começaram a ter dificuldade para respirar, às vezes de forma extrema, começaram a vomitar ou perder a consciência. Os combatentes mais afetados precisaram ser retirados antes de se sufocarem", escreveu o Le Monde.
"Os repórteres do Le Monde presenciaram isso vários dias seguidos neste distrito, nos arredores de Damasco, onde os rebeldes entraram em janeiro", disse.
Uma importante autoridade francesa disse nesta segunda-feira que estão sendo analisados supostos elementos de armas químicas usadas que foram retirados ilegalmente pelos repórteres do jornal. Os resultados devem ser divulgados nos próximos dias.
A autoridade acrescentou que a França conduziu recentemente sua própria investigação sobre outras amostras que indicaram o uso de gases.
Acredita-se que a Síria, que não faz parte da convenção contra armas químicas, tenha um dos últimos arsenais não declarados desse tipo de armamento.
(Reportagem de Ingrid Melander)













