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Jornalismo investigativo, vítima da violência em Montenegro

Internacional|Do R7

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Snezana Stanojevic. Belgrado, 25 jan (EFE).- Investigar a corrupção política e publicar notícias sobre o crime organizado pode sair muito caro para os jornalistas de Montenegro, um país balcânico que aspira entrar na União Europeia (UE) e onde vários ataques contra a imprensa seguem impunes. Lidija Nikcevic, redatora do jornal "Dan", crítico ao governo, foi a última vítima de uma série de ataques que nunca, de fato, deixaram de acontecer ao longo da última década. A jornalista teve que ser atendida no hospital em 3 de janeiro após ter sido golpeada várias vezes na cabeça por um mascarado que a atacou perto do escritório de seu jornal na cidade de Niksic. Lidija já havia publicado informações críticas sobre autoridades municipais de Niksic. Por enquanto, não houve detidos. Também não foram presos os responsáveis pelo ataque a bomba contra a redação do jornal "Vijesti", em Podgórica, no dia 26 de dezembro. O atentado com explosivos em agosto do ano passado contra a casa do jornalista Tufik Softic, que escreve sobre o crime organizado e a corrupção em Montenegro, também passou em branco. "Os problemas começaram em 2004, quando assassinaram um jornalista. Ainda não sabemos quem ordenou o crime, quem estava por trás desse caso", denunciou em Viena o secretário-geral da Organização de Imprensa do Sudeste da Europa (SEEMO), Oliver Vujovic. O secretário-geral estava se referindo à morte de Dusko Jovanovic, fundador e diretor do jornal "Dan", baleado em maio de 2004 quando saía do trabalho. Cinco anos depois, uma pessoa foi condenada a 30 anos de prisão por ser cúmplice do assassinato, mas ainda é desconhecida a identidade de quem matou o jornalista e os motivos do crime. A SEEMO vincula diretamente as agressões aos jornalistas com seu trabalho em temas como corrupção e criminalidade. "Parece bastante evidente que os fatos ocorreram pelas investigações jornalísticas, como o caso do repórter que foi atacado dias depois que foi publicada uma reportagem de sua autoria sobre algumas irregularidades e práticas mafiosas no mundo do esporte", declarou Vujovic à Agência Efe em Viena. Após o ataque contra Nikcevic, as associações de jornalistas de Montenegro ameaçaram fazer uma greve para que as autoridades lhes deem mais proteção e descubram quem está por trás dos ataques. Distintas organizações civis denunciam que a falta de contundência contra as agressões gera uma sensação de impunidade que produz mais violência e procura asfixiar a liberdade de expressão. Além das agressões físicas, os ataques contra a imprensa crítica também são feitos no campo econômico deste pequeno país de 600 mil habitantes que conseguiu sua independência da Sérvia em 2006. "Os métodos de pressões vão desde ataques e emboscadas em frente às redações até a 'exaustão financeira', com várias multas que há dez anos pagamos por diferentes acusações de funcionários do governo", critica Nikola Markovic, redator-chefe adjunto no jornal "Dan". Segundo Markovic, só esta publicação acumula um milhão de euros em pedidos de indenização por supostas ofensas. "Felizmente, há mais de um ano foi abolido o crime de calúnia, mas os métodos de repressão passaram das denúncias à rua", disse à Efe por telefone, o jornalista que também é presidente da comissão criada recentemente para investigar os ataques. Markovic não dá nomes, mas ressalta que os únicos meios de comunicação que são alvo de ataques são aqueles que publicam informações críticas ao poder e que denunciam os vínculos entre máfias e autoridades locais. "Lidija Nikcevic escrevia sobre assassinatos e crime organizado, vejo seu jornalismo investigativo como o motivo dos ataques contra ela e outros colegas", comentou. Embora as autoridades do país não hesitem em condenar os ataques, o fato é que poucos casos chegaram aos tribunais. Após a agressão em 3 de janeiro, o presidente do Parlamento, Ranko Krivokapic, advertiu que "sem a liberdade de imprensa e sem um ambiente seguro para seu trabalho, Montenegro irá se afastar cada vez mais de seu caminho euro-atlântico". De fato, a missão da UE em Montenegro advertiu que esses ataques podem afetar as negociações para a entrada no grupo comunitário, já prejudicadas pelo elevado nível de corrupção e crime organizado no país balcânico. EFE jac/jcf-rsd

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