Judeus, cristãos e muçulmanos da Argentina fazem missão pelo Oriente Médio
Internacional|Do R7
Daniela Brik. Ramala (Cisjordânia), 20 fev (EFE).- Uma delegação integrada por 45 representantes judeus, cristãos e muçulmanos da Argentina levou nesta quinta-feira seu modelo de respeito e convivência pacífica à Palestina, onde foi recebida pelo primeiro-ministro, Rami Hamdala. A viagem é inédita. O grupo - composto por 15 judeus, 15 muçulmanos e 15 cristãos - chegou na noite de ontem à região e percorrerá Israel, Palestina e Jordânia. A previsão é estar em Roma no próximo dia 27, onde eles serão recebidos pelo papa Francisco. "Em vez de chamar atenção para o conflito do Oriente Médio, queremos mostrar que cristãos, muçulmanos e judeus podem viver juntos", explicou à Agência Efe Claudio Epelman, diretor-executivo do 'Congreso Judío Latinoamericano' e organizador da iniciativa. Ele destacou que o pontífice teve "um papel muito significativo como arcebispo de Buenos Aires" na criação e promoção do diálogo entre as religiões. "Movimentou distintas iniciativas na Argentina. Ele é uma referência essencial", disse Epelman, antes de destacar que o papa viajará à Terra Santa em maio com passaporte argentino. No percurso pelo Oriente Médio, o grupo terá oportunidade de se reunir com o presidente de Israel, Shimon Peres, e na Jordânia, com um membro da dinastia hachemita, já que o Rei Abdullah II não poderá recebê-los por questões de agenda. Além disso, eles visitarão o Museu do Holocausto, a Mesquita de Al-Aqsa, a Via Dolorosa, o Santo Sepulcro e o Muro das Lamentações. O grupo também encontrará com representantes de ONGs e da sociedade civil israelense e palestina. No primeiro dia da viagem, muitos ali pisando na Terra Santa pela primeira vez, havia muita preocupação, junto com demonstrações de camaradagem e empatia. No trajeto até Ramala, alguns paravam para fotografar o muro de concreto israelense em torno de Jerusalém. Outros faziam imagens do posto de controle militar para autoridades políticas e para diplomatas. "Os senhores fazem pátria", disse o embaixador argentino na Palestina, Eduardo Demayo. Ele explicou que a comunidade argentina em território palestino não passa de 20 pessoas, 14 deles religiosos. O número contrasta com os cerca de 80 mil argentinos que emigraram para Israel, sendo a comunidade judaica na Argentina uma das maiores do mundo, com 200 mil pessoas. Os árabes da Argentina, integrado principalmente por sírios e libaneses, chegam a 3,5 milhões de pessoas, das quais 700 mil são muçulmanos e os demais cristãos. O primeiro encontro com um alto cargo aconteceu hoje na capital da Cisjordânia. "Palestina é a terra das três religiões: cristianismo, judaísmo e islã. E, para mim, a religião é tolerância", disse o primeiro-ministro palestino. Além disso, falou do forte compromisso da liderança palestina com o atual processo de paz. "Não há outra solução (que chegar ao acordo de paz com Israel) porque esse é nosso destino. Somos vizinhos, temos que viver juntos um ao lado do outro em paz e harmonia", declarou. Após a reunião, em que entregaram "um mate da paz" como agradecimento pela visita, o grupo continuou a viagem. Padre Guillermo Marcó, da Arquidiocese de Buenos Aires, que durante oito anos foi porta-voz e diretor do Escritório de Imprensa do então cardeal Jorge Mario Bergoglio, revelou que o pontífice acompanhou os preparativos da viagem. "Vamos visitar em comum nossos lugares sagrados. Terminaremos com uma visita ao papa Francisco contando para ele o que vimos com nossas orações e com o desejo que possa ser um ator importante na paz mundial", disse. Também na viagem, o rabino Sergio Bergman, deputado por Buenos Aires, mostrou confiança em que a mensagem de coexistência do grupo permita que "as três religiões realizem finalmente um acordo de paz". Omar Ahmed Abboud, co-fundador e presidente do Instituto do Diálogo inter-religioso da Argentina, concorda com o colega. "O motivo da viagem não é apenas estar na terra palestina, mas também mostrar uma realidade que existe em uma parte do mundo, onde o diálogo religioso é uma construção". EFE db/cdr (foto) (vídeo)












