Juíza ordena libertação de menores imigrantes em centros de detenção dos EUA
Em 2014, o número de crianças e progenitores detidos na fronteira chegou a 68.441
Internacional|Do R7
Uma juíza federal da Califórnia ordenou a pronta libertação de menores imigrantes ilegais presos em centros de detenção dos Estados Unidos, informou neste sábado (22) a imprensa local.
Em uma decisão divulgada na noite de sexta-feira (21), a magistrada Dolly Gee destacou que os menores não devem permanecer nessas instalações por mais de 72 horas, a menos que constituam um sério risco para os demais ou para eles próprios.
Gee deu prazo até o próximo dia 23 de outubro para que as agências federais cumpram com a ordem, apesar da expectativa que o governo apele da decisão, conforme o jornal Los Angeles Times.
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A ordem da juíza ocorreu depois de um recurso apresentado semanas atrás pelo presidente Barack Obama, na qual defendeu a política de manter as famílias de imigrantes ilegais nos centros de detenção.
O recurso judicial, por sua vez, foi uma resposta a uma ordem da juíza do último mês de julho. Ela ordenou que a libertação das crianças que estavam nos centros de detenção de Karnes City e Dilley, ambos no Texas, que podem abrigar 2.932 pessoas.
A magistrada considerou que o governo tinha violado um acordo extrajudicial de 1997, que determina que os menores devem viver nas condições "menos restritivas possíveis".
O governo argumentou, se executada a decisão judicial, se "eliminaria a capacidade para deportar ou readmitir as famílias, o que poderia provocar outro aumento notável do número de pais que cruzam a fronteira com seus filhos".
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O Executivo acrescentou que o Departamento de Segurança Nacional (DHS), encarregado dos centros, comprovará se as famílias têm um medo crível por sua vida em seus países de origem e, após se certificar, não permanecerão detidas por mais de 20 dias.
Jorge Cabrera, porta-voz da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA), pediu ao governo que cumpra com o mandato da juíza, já que é "desumano, desnecessário e injusto" manter os menores detidos.
"Estas crianças e suas mães estão fugindo de situações complicadas em seus países de origem. Os Estados Unidos devem atuar com humanidade e compaixão, e agilizar os processos legais que permitam que estes refugiados possam ficar", manifestou Cabrera. No ano passado, Estados Unidos viveram uma "crise humanitária" por causa de uma onda migratória de menores e mães imigrantes, em sua maioria procedentes da América Central, que cruzaram a fronteira para escapar da violência em seus países de origem.
O governo investiu milhões de dólares na implementação de centros de detenção destes imigrantes, especialmente os levantados no Texas, para abrigar os milhares de imigrantes ilegais enquanto eram processadas suas solicitações de asilo ou deportação.
Segundo números oficiais, durante o ano fiscal 2014 (de 1 de outubro de 2013 a 30 de setembro de 2014), o número de crianças e progenitores detidos na fronteira chegou a 68.441, o que supôs um aumentou de 361% com relação ao ano anterior.
Todos os meses, milhares de imigrantes latino-americanos atravessam o México de sul a norte em cima de um trem de carga para chegar à fronteira com os Estados Unidos. Apelidado de “A Besta”, o veículo é tão lento que pessoas podem viajar em seu topo — ...
Todos os meses, milhares de imigrantes latino-americanos atravessam o México de sul a norte em cima de um trem de carga para chegar à fronteira com os Estados Unidos. Apelidado de “A Besta”, o veículo é tão lento que pessoas podem viajar em seu topo — o que não significa, porém, que a viagem seja tranquila


















