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Julgamento de acusados de matar casal de extrativistas entra na reta final

Internacional|Do R7

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Marabá (Brasil), 4 abr (EFE).- O julgamento pelo assassinato de um casal de extrativistas há quase dois anos no Pará entrou nesta quinta-feira em seu segundo dia, com a troca de alegações entre os promotores do Ministério Publico estadual e a defesa. O julgamento está sendo realizado na cidade de Marabá, no Pará. Diante de um júri popular composto por sete pessoas, o MP baseou sua argumentação nas ameaças que o casal estava sofrendo há vários anos e que foram relatadas por várias testemunhas ontem. Além disso, foram apresentadas várias provas que incriminariam os acusados. Os três acusados de homicídio qualificado são José Rodrigues Moreira, apontado como mandante, e Alberto Lopes Nascimento e Lindonjonson Silva Rocha, supostos executores do crime. As vítimas foram o casal formado por José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a tiros em 24 de maio de 2011 em Nova Ipixuna, cidade próxima a Marabá, aparentemente em função de uma disputa por terras. O casal vivia há mais de vinte anos no assentamento Praia Alta Piranheira, onde se dedicavam a extração de castanha. O local possui madeiras de alto valor comercial, como o mogno. Na tarde de hoje, a defesa continuará sua argumentação utilizando a tese de que o casal assassinado tinha muitos inimigos e portanto os acusados podem não ser os autores do crime. Depois, o júri irá se retirar para deliberar e se espera que hoje mesmo anuncie sua sentença. Defensores da reforma agrária e membros de organizações de direitos humanos acompanham no tribunal de Marabá o julgamento e exigem punição para os responsáveis. O advogado Antonio Escrivão, da organização Terra de Direitos, disse à Agência Efe que estava satisfeito com a mobilização alcançada com o caso. Além disso, afirmou que é "importante" que a Justiça "reconheça a luta pelos direitos humanos" em uma região com frequentes conflitos pela terra. "Que o povo se mobilize, que esteja atento para combater a impunidade", ressaltou. O diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, Átila Roque, denunciou as "faltas e atrasos" do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) no processo de regularização do assentamento onde viviam as vítimas, situação que segundo sua opinião "alimentou o conflito" que custou a vida" do casal. No lado de fora do fórum, dezenas de pessoas voltaram a se reunir para apoiar a família das vítimas e demonstrar seu apoio à reforma agrária. EFE jbl/dk (foto)

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