Juncker vence novamente em Luxemburgo, com dúvidas sobre formação de governo
Internacional|Do R7
Mario Villar. Luxemburgo, 20 out (EFE).- O democrata-cristão Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro de Luxemburgo há quase duas décadas, venceu novamente neste domingo as eleições legislativas do país, embora tenha registrado uma ligeira queda que, unida ao sucesso dos liberais, poderia pôr em perigo sua continuidade como chefe de governo. O CSV de Juncker, com pouco mais de 33% dos votos, continua sendo a força mais votada no Grande Ducado de Luxemburgo, mesmo perdendo 3 das 26 cadeiras que obteve nas eleições de 2009. Esse retrocesso foi aproveitado principalmente pelos liberais do DP, que comandados pelo jovem Xavier Bettel passaram de 9 a 13 deputados e serão a chave para a formação do governo. "Se estes primeiros resultados se confirmarem, uma coisa está clara: nestas eleições há um grande vencedor e é o DP", disse Bettel, que é também prefeito da capital do país, em uma primeira reação após o anúncio da vitória para seus simpatizantes. A segunda opção possível passaria por uma coalizão tripartite inédita na história do país, que uniria liberais, socialistas e ecologistas e com a qual se especulou repetidamente durante a campanha eleitoral. Os socialistas do LSAP, que apoiam desde 2004 o governo de Juncker e que em julho forçaram sua queda por considerá-lo responsável de um escândalo nos serviços secretos, repetiram os resultados de 2009 e são a segunda força, com 13 deputados. Durante a campanha, o líder socialista e até agora ministro da Economia Etienne Schneider defendeu a mudança, dando a entender que seria mais propício a um pacto que deixasse Juncker de fora. Após conhecer os resultados, Schneider disse que conservar as 13 cadeiras da legislatura "não se pode considerar uma derrota", já que esse número "nos permite igualmente irmos para o governo ou constituir uma oposição forte". Os Verdes, por sua vez, perderam uma cadeira e terão somente 6, permitindo um cenário em que o possível tripartite somaria uma ajustada maioria de 32 cadeiras das 60 da Câmara dos Deputados. Por enquanto, nenhuma das partes quis revelar suas intenções e o líder liberal se limitou a afirmar que só participará de uma coalizão que garanta colocar em prática seu programa eleitoral, segundo declarações recolhidas pelo jornal "L'Essentiel" em sua edição digital. O ex-primeiro-ministro democrata-cristão e antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Santer reconheceu que "o DP ganhou muito claramente", em referência à forte alta, e chamou a prestar atenção aos programas políticos para ver as possibilidades de coalizão. Nos próximos dias, o grande duque Enrique deve, como chefe do Estado, designar um dos candidatos para que explore as distintas opções de formação de governo. Juncker deixou hoje claro que considera que, como vencedor do pleito, deve ser ele quem dirija a colação governamental. Se perder o comando do governo, Juncker poria fim a 18 anos à frente do país e a três décadas de presença no Executivo. O veterano dirigente, que em várias ocasiões foi colocado como possível presidente da Comissão Europeia, prometeu que continuará na política nacional inclusive se não for escolhido reeleito primeiro-ministro. Luxemburgo, o segundo menor país da EU, logo depois de Malta, é também o membro mais rico da União, com uma renda per capita que é o dobro da média comunitária. Apesar disso, o país também se viu afetado pela crise econômica, com um ligeiro aumento do desemprego e um grande crescimento da dívida pública. O verdadeiro desafio para o Grande Ducado chegará nos próximos anos, quando forçado pela pressão de seus vizinhos porá fim ao sigilo bancário sobre o qual se baseia grande parte de sua economia. EFE mvs/cd (foto)











