Justiça egípcia ordena libertação de Mubarak
Internacional|Do R7
Por Tom Perry e Maggie Fick
CAIRO, 21 Ago (Reuters) - O líder egípcio deposto Hosni Mubarak deixará a prisão até quinta-feira, depois do decreto de um tribunal que sacudiu uma nação dividida e já em tumulto, sete semanas depois de os militares derrubarem o presidente islâmico Mohamed Mursi.
Reunido na quarta-feira na prisão do Cairo onde Mubarak é mantido, o tribunal julgou procedente o pedido de seu advogado exigindo a libertação do homem que governou o Egito por 30 anos, até ser deposto durante os levantes que varreram o mundo árabe no início de 2011.
Fontes judiciais e da área de segurança disseram que o tribunal havia ordenado a libertação de Mubarak. Seu advogado, Fareed al-Deeb, confirmou isso enquanto deixava a prisão de Tora depois da sessão. Questionado quando Mubarak seria solto, ele disse à Reuters: "Talvez amanhã."
Mubarak, de 85 anos, foi condenado à prisão perpétua no ano passado por não ter evitado a matança de manifestantes. Mas um tribunal aceitou sua apelação no início deste ano e ordenou um novo julgamento.
O ex-presidente, doente, provavelmente não tem um futuro político. Mas muitos egípcios irão ver sua libertação como a reabilitação de uma antiga ordem que resistiu por seis décadas de governo apoiada por militares -e mesmo uma reversão da revolta pró-democracia que o derrubou.
Pelo menos 900 pessoas, incluindo 100 soldados e policiais, foram mortos em uma repressão contra a Irmandade Muçulmana de Mursi na semana passada, tornando esse episódio civil o mais sangrento no Egito em décadas.
Os Estados Unidos e a União Europeia estão revendo a ajuda ao Cairo à luz do derramamento de sangue, mas a Arábia Saudita, um inimigo da Irmandade, prometeu compensar qualquer desvantagem.
Mubarak ainda está sendo julgado por acusações de cumplicidade no assassinato de manifestantes durante a revolta contra ele, mas ele já serviu a detenção máxima pré-julgamento naquele caso.
O decreto do tribunal removeu a última base legal para sua prisão em ligação com um caso de corrupção, depois de uma decisão similar em outro caso de corrupção na segunda-feira.
A libertação de Mubarak pode provocar ainda mais turbulência no Egito, onde os militares derrubaram Mursi, o primeiro líder livremente eleito do país, em 3 de julho, dizendo que estavam respondendo ao desejo do povo depois de enormes protestos pedindo sua remoção.
Os generais instalaram uma administração interina para fiscalizar um mapa da estrada que dizem que levará o Egito de volta à democracia.
As autoridades agora retratam sua briga com a Irmandade, a força política melhor organizada do Egito, como uma luta contra o terrorismo, e estão prendendo seus líderes, detendo o "guia-geral" do grupo, Mohamed Badie, no Cairo na terça-feira.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que junto com o Kuweit prometeram ao Egito 12 bilhões de dólares em ajuda desde a derrubada de Mursi, desaprovaram a detenção de Mubarak desde o começo. Diplomatas árabes disseram que as monarquias conservadoras do Golfo fizeram lobby para a libertação de um homem que já viram como um forte aliado regional.
O julgamento de Mubarak, quando ele apareceu dentro de uma jaula no tribunal, e sua prisão também afrontaram alguns oficiais egípcios. Um coronel, que pediu anonimato, disse que o tratamento do ex-comandante militar supremo tinha "manchado a imagem das forças armadas".
(Reportagem adicional redação do Cairo, Justyna Pawlak em Bruxelas, Lesley Wroughton e Patricia Zengerle em Washington e Elaine Lies em Tóquio)












