Conservadora Keiko Fujimori tem vantagem irreversível para se tornar presidente do Peru
Candidato de esquerda, Roberto Sánchez anunciou que não reconhecerá o resultado do segundo turno das eleições
Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters
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Com 99,859% dos votos apurados, a candidata conservadora à presidência do Peru, Keiko Fujimori, abriu vantagem suficiente sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez para se tornar presidente do país.
Os dados são de um relatório do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e foram divulgados no fim da noite da terça-feira (23).
A autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente o vencedor e planeja fazê-lo em meados de julho.
Fujimori ampliou para 43.386 votos a distância sobre Sánchez e soma 50,118% dos votos válidos, contra 49,882% do rival, o que torna matematicamente impossível para o candidato de esquerda conseguir reverter o quadro.
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Sánchez anunciou na terça que não reconheceria a possível vitória de Fujimori, se o pedido de anulação dos votos no exterior não for acolhido.
“Acreditamos que houve manipulação dos votos”, disse Sánchez, acusando a autoridade eleitoral peruana Onpe e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos emitidos no exterior, que favoreceram fortemente Fujimori.
“Não reconheceremos o governo de Fujimori”, disse Sánchez. Ele exortou seus apoiadores a irem às ruas e convocou novas marchas para sábado (27).
Crise política
A declaração aumenta a possibilidade de uma crise política prolongada no Peru, enquanto o país aguarda o resultado final de uma das disputas presidenciais mais acirradas de sua história.
O partido de Sánchez, “Juntos pelo Peru”, conquistou o segundo maior número de cadeiras no Congresso, garantindo 32 das 130 na Câmara dos Deputados e 14 das 60 no Senado.
O partido de Fujimori terá o maior bloco no Congresso, com 22 cadeiras no Senado e 41 na Câmara dos Deputados.
Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, concorre pela quarta vez à presidência. Ela, que anteriormente se distanciava do legado de seu pai, tem se apoiado nele nesta eleição — apresentando-se como uma líder forte, a mais capaz de garantir ordem e estabilidade, enquanto os eleitores enfrentam índices crescentes de extorsão e assassinatos.
A vitória esperada de Fujimori aprofunda a guinada à direita na América Latina, após a eleição do candidato independente Abelardo De La Espriella na Colômbia no domingo (21). Eleitores preocupados com a criminalidade têm se voltado em massa para candidatos de linha-dura.
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