Líbia se desdobra para reabsorver ex-rebeldes que derrubaram Kadafi
Internacional|Do R7
Esam Zuber. Trípoli, 14 jun (EFE).- A reintegração social dos milicianos que se envolveram em 2011 no levante armado que derrubou o regime do coronel Muammar Kadafi se transformou desde o começo da transição em uma dor de cabeça para o novo governo líbio. A morte de 31 pessoas no último sábado na cidade de Benghazi em um tiroteio entre milicianos dependentes do Ministério da Defesa e manifestantes contrários à existência desses grupos armados, é um dos exemplos de uma longa lista de conflitos em que os antigos rebeldes se envolveram. Incapaz de exercer sua autoridade em grande parte do território, o Executivo tentou oferecer alternativas aos jovens que tomaram as armas, propondo a eles uma carreira militar ou dentro das forças de polícia, a criação de pequenas e médias empresas e, mais recentemente, formação no exterior. O Congresso Nacional Geral (Parlamento) lançou no final do primeiro trimestre deste ano uma iniciativa para formar 30 mil jovens líbios com o objetivo de afastá-los das armas. Um total de 18 mil deles será enviado ao exterior para que possam voltar ao país com uma formação sólida que lhes permita reiniciar uma vida nova. Como o diretor do organismo de combatentes, Musta Al Saquezli, explicou à Agência Efe o plano, cujo objetivo é a integração e o desarmamento dos "zuar" (revolucionários), aconteceu após um amplo estudo supervisado pela ONU, que incluiu 136 mil entrevistas pessoais. Saquezli esclareceu que os planos de formação estão baseados em três pilares. O primeiro seria favorecer tanto que os jovens completem ciclos de formação superior como que se matriculem em módulos de formação profissional. O diretor explicou que a iniciativa também busca estimular o desenvolvimento do país. "É uma iniciativa ousada que dará aos jovens líbios a oportunidade de estudar e contribuir com a construção da Líbia em todos os âmbitos e em diferentes níveis", disse Saquezli. Neste ano serão enviados ao exterior 5 mil antigos rebeldes, com atenção especial aos que participaram da frente e os que sofreram mutilações como consequência do conflito, que se prolongou entre fevereiro e novembro de 2011. Os primeiros beneficiados das bolsas de estudos receberão formação relacionada a administração e gestão. Sessenta jovens "zuar", de um total de 300, já foram enviados à escola de Administração do Estado de Dubai. Outra faceta do projeto é a criação de um fundo para apoiar a criação de pequenas e médias empresas em forte colaboração com o Ministério da Economia. Segundo o responsável do organismo de combatentes, 42% dos jovens entrevistados mostraram seu desejo de abrir seu próprio negócio. Por último, o terceiro pilar da iniciativa é a integração nos corpos de segurança e no exército de todos aqueles milicianos que o desejarem. Paralelamente ao plano, o primeiro-ministro, Ali Zidan, anunciou recentemente a constituição da Guarda Nacional, um corpo destinado à absorção dos "zuar" que passarem nas provas de ingresso. No entanto, Zidan quis deixar claro que o grupo, que será subordinado ao Ministério da Defesa, não representará nenhuma ideia política, ideológica nem religiosa e que os recrutas deverão se alistar individualmente. O ex-presidente do Parlamento, Mohammed al Magrif, expressou recentemente as preocupações da classe política durante seu discurso de renúncia em 28 de maio. "As armas estão nas mãos de milhares de pessoas que vivem à margem da legalidade, que simpatizam com o regime de Kadafi ou (nas mãos) de revolucionários que se desviaram dos interesses da nação", disse. Magrif acusou inclusive "alguns parlamentares" de "incitar as milícias de suas zonas para pressionar seus companheiros a alcançar seus objetivos". A função da Guarda Nacional será dar apoio à polícia e ao exército na vigilância de florestas, rodovias, complexos petrolíferos e de gás, assim como a qualquer estabelecimento de interesse nacional situado fora do perímetro urbano das cidades. Cem comandantes em chefe dos rebeldes já foram enviados ao Kosovo para se formar na integração e na construção das instituições do Estado, assim como dos aparatos de segurança e do exército. Fontes do Ministério do Interior insistem que é um plano gradual e que em algumas cidades do país já se integraram todos os revolucionários que solicitaram sua participação. Segundo dados oficiais, 51.536 antigos "zuar" apresentaram seu "expediente de integração", dos quais 5 mil já concluíram sua formação e 6 mil estão imersos no processo. EFE ez-jfu/tr











