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Líder curdo pede fim da luta armada contra Turquia

Ministro turco do Interior, Muammer Guler, recebeu pedido com satisfação

Internacional|, com EFE

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Ocalan deve convocar a formação de comissões que garantam a passagem dos combatentes do PKK para o Iraque sem incidentes
Ocalan deve convocar a formação de comissões que garantam a passagem dos combatentes do PKK para o Iraque sem incidentes MUSTAFA ABADAN/ASSOCIATED PRESS

O líder separatista curdo Abdulah Ocalan pediu nesta quinta-feira (21) a seus partidários que abandonem a luta armada contra as autoridades turcas e concentrem-se no combate político, depois de quase três décadas de um conflito que deixou 45 mil mortos.

Em uma carta escrita na cela em que está preso e lida na cidade turca de Diyarbakir ante milhares de pessoas por um legislador curdo, Ocalan afirma que a luta curda está em uma nova etapa.


— Entramos numa etapa na qual as armas devem ser caladas.

Ele também pediu aos insurgentes armados do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que se retirem da Turquia, alegando que "é hora de a política prevalecer".


Durante as discussões sobre um plano de paz, o governo turco exigiu que os cerca de 2.000 combatentes do PKK abandonassem o território turco antes do outono — que, no hemisfério norte, começa em setembro. Ocalan também se comprometeu a obter salvo-condutos para que os combatentes permaneçam no Iraque.

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O ministro turco do Interior, Muammer Guler, recebeu com satisfação a "linguagem de paz" utilizada hoje pelo líder da guerrilha curda.


Em declarações divulgadas pela agência de notícias Anadolu, o ministro afirmou que a mensagem era positiva, mas que era preciso esperar as consequências práticas de suas palavras.

A avaliação de Guler é a primeira feita pelo governo turco, cujo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, está em viagem oficial na Holanda.

29 anos de combates

O pedido de cessar de hostilidades põe fim a vários meses de negociações secretas entre os serviços de inteligência turcos e Ocalan, preso desde 1999 na ilha de Imrali, perto de Istambul. Ele cumpre uma pena de prisão perpétua por traição.

Desde a fundação do PKK, em 1984, Ocalan já havia apelado à paz quatro vezes, mas estas iniciativas foram rejeitadas por Ancara ou torpedeadas pelos setores mais intransigentes dos separatistas.

O primeiro-ministro do governo islamita conservador turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou-se, no entanto, determinado a enfrentar os antagonismos, desafiando a oposição nacionalista turca que o acusa de traição.

Os curdos, em sua grande maioria muçulmanos sunitas, ocupam um território de cerca de 500 mil km², entre a Turquia, o Irã, o Iraque e a Síria.

Sua população varia, segundo fontes turcas ou curdas, entre 25 milhões e 35 milhões. De 12 a 15 milhões vivem na Turquia, cerca de 5 milhões no Irã, 4,5 milhões no Iraque e 2 milhões na Síria. Também há importantes comunidades curdas no Azerbaijão, Armênia, Líbano e na Europa, principalmente na Alemanha.

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Novos tempos

Os contatos entre as autoridades turcas e Ocalan se iniciaram no ano passado, depois de um aumento de atentados contra as forças de segurança.

O pedido de paz de Ocalan foi lido ante milhares de pessoas congregadas em Diyarbakir por ocasião das celebrações do Ano Novo curdo, o Newroz.

A esplanada iluminada pela fogueira do Newroz também estava enfeitada com bandeiras com as cores curdas, vermelho, amarelo e verde.

O deputado curdo Selehattin Demirtas comentou o pedido em seu Twitter.

— Nós despertamos esta manhã em um ano realmente novo, no Newroz de uma nova era.

Ahmet Kaplan, um agricultor idoso, morador de uma aldeia próxima, disse que acredita na paz.

— Tenho um filho nas montanhas [militando com o PKK] e outro no exército. Isso tem de acabar, não podemos deixar que as mães continuem chorando.

O pedido para silenciar as armas também constitui uma prova da popularidade do fundador do PKK.

Um gigantesco cartaz pedia: "Uma solução democrática. Liberdade para Ocalan". E milhares de pessoas cantavam: "Na paz, como na guerra, estamos contigo, chefe!"

Ocalan afirmou que seu objetivo, com este acordo, é a "democratização de toda a Turquia".

O cessar das hostilidades deve levar a uma ampliação dos direitos constitucionais dos curdos e à libertação de milhares de pessoas detidas por seus vínculos com o PKK, uma organização catalogada como terrorista por Ancara e seus aliados ocidentais.

Ocalan deve convocar a formação de comissões que garantam a passagem dos combatentes do PKK para o Iraque sem incidentes.

Como sinal de boa vontade, o PKK libertou na semana passada oito reféns turcos capturados há dois anos.

Desde a chegada de Erdogan ao poder, em 2002, a minoria curda obteve maior reconhecimento cultural e linguístico.

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