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Líder do Seleka diz que não haverá "caças às bruxas" na R.Centro-Africana

Internacional|Do R7

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Paris, 25 mar (EFE).- O autoproclamado presidente da República Centro-Africana e líder da coalizão rebelde Seleka, Michel Djotodia, defendeu o golpe de Estado dado no país por causa "da miséria" e assegurou que não haverá perseguição aos dirigentes do regime do governante derrubado, François Bozizé. "Não estamos aqui para fazer caça às bruxas", declarou Djotodia à emissora "Radio France Internationale" ao ser perguntado sobre se aceitará ministros de Bozizé em seu governo. Segundo Djotodia, o governo vai verificar se esses ministros continuam na República Centro-Africana para tentar chamá-los "porque as portas estão abertas para todos" e porque "representamos todos os centro-africanos". Em relação ao tempo em que pensa permanecer no poder, o autoproclamado presidente afirmou que não poderia firmar um tempo exato, já que, segundo ele, "é preciso tempo para estabelecer a paz". Em todo caso, Djotodia se comprometeu - em linha com o compromisso assinado no último janeiro em Libreville com o regime de Bozizé - a organizar "eleições livres e transparentes" em um prazo de três anos. "Não disse que em três anos entregaria o poder. Disse que daqui a três anos vamos organizar eleições livres e transparentes como ocorre em todo mundo", declarou. Djotodia também confirmou que seu primeiro-ministro continuará sendo Nicolas Tiangaye, um antigo opositor ao regime de Bozizé que foi nomeado em janeiro em virtude desses mesmos acordos de Libreville. Djotodia assinalou que se considera Chefe de Estado com a declaração que fez ontem após a tomada da capital, Bangui, e a fuga de Bozizé Na mesma entrevista, Djotodia negou um suposto apoio que o Seleka teria recebido por parte dos presidentes do Chade, Congo-Brazzaville e Gabão, e assinalou que "a miséria os levaram a tomar as armas". "É a miséria que nos obriga. Queremos sair desta miséria", afirmou o até agora líder rebelde, que ressaltou que a vitória não é apenas sua, mas "de todo povo centro-africano". Em relação as suas prioridades para transição política, Djotodia considerou que "o povo centro-africano deve estar unido e deve ver o futuro com objetividade, tendo em vista que não há paz e, sem paz, não se pode fazer nada. Vamos ter que restabelecer a paz e a autoridade do Estado em todo o território". Para alcançar o objetivo citado, Djotodia exaltou que espera a ajuda "de amigos, como a França, Estados Unidos e China", assim como da Comunidade Econômica de Estados da África Central e da Comissão Econômica e Monetária da África Central. Neste aspecto, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, indicou hoje que, "por enquanto, não há poder legítimo" na República Centro-Africana. Segundo Fabius, mesmo com a autoproclamação de Djotodia como novo presidente, Paris não vai interferir nos assuntos desse país, mas protegerá seus cidadãos. Indiretamente, Fabuis também criticou Bozizé, que, segundo o ministro francês, "tinha se comprometido a fazer coisas que não fez". França, que reforçou seu dispositivo militar na República Centro- Africana nas últimas horas para proteger seus cidadãos, não tem intenção de tirá-los do país por enquanto, já que considera que a situação está sob controle. EFE ac/fk

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