Líderes de Potosí exigem libertação de detidos para dialogar com governo
Internacional|Do R7
La Paz, 23 jul (EFE).- Os dirigentes civis da região de Potosí, no sudoeste da Bolívia, mobilizados há 18 dias para reivindicar ajuda para o desenvolvimento regional, disseram nesta quinta-feira que só falarão com o governo se forem liberadas as 51 pessoas detidas ontem durante um confronto entre mineiros e policiais. O presidente do Comitê Cívico Potosinista (Comcipo), Johnny Llally, disse a Rádio Fides que, por enquanto, não receberam um novo convite para dialogar, apesar de o vice-presidente, Álvaro García Linera, ter anunciado que voltariam a ser chamados. "Se neste momento houvesse uma carta (de convite ao diálogo), (seria preciso) primeiro a libertação dos meus companheiros", sustentou Llally. Centenas de mineiros e de policiais tiveram um confronto violento em La Paz, após fracassar uma tentativa de diálogo entre os ministros e os líderes de Comcipo, que lideram há 18 dias os protestos em Potosí e La Paz que fazem mais de 20 reivindicações de desenvolvimento regional. Segundo o governo, por causa da greve e dos bloqueios, a região de Potosí perde US$ 5 milhões por dia, dois só na cidade homônima. Os mineiros usaram dinamite para enfrentar os agentes, que responderam com gás lacrimogêneo, provocando o caos nas avenidas e nas ruas de La Paz ao redor do Ministério do Interior, onde se buscava instalar uma mesa de negociação. Também foram dinamitados dois veículos oficiais e registrados incêndios na Embaixada da Alemanha em La Paz, em um hotel de propriedade da polícia e em um jardim da cidade, todos controlados pelos bombeiros. García Linera acusou nesta quarta-feira os mineiros de terem "atentado" contra a vida dos ministros e dos jornalistas que estavam no local. Llally pediu hoje desculpas aos habitantes de La Paz "por provocar tanto dano" e agradeceu a solidariedade e o apoio que o Comcipo recebeu de diversos setores da província. O dirigente abriu a boca a chorar ao explicar as razões das mobilizações e as condições de pobreza e atraso que Potosí vive. "Eu votei pelo senhor presidente (Evo Morales), acreditei nele porque uma pessoa que sofre conhece as necessidades. Eu estive com ele, disse 'este senhor vai mudar as coisas', mas entrou e não houve mudanças", afirmou o dirigente. Com a greve, os potosinos exigem, entre outras reivindicações, a construção de uma hidrelétrica, três hospitais, mais estradas, fábricas de vidro e cimento, um aeroporto internacional e a preservação do Cerro Rico, porque ser a principal atração turística da cidade, mas está deteriorada pela mineração. Os 51 detidos foram acusados de "utilização de artefatos explosivos, danos à propriedade privada, danos a bens do Estado e lesões a particulares", segundo o chefe da Força Especial de Luta contra o Crime de La Paz, coronel Gary Omonte. Em um ato na região de Chuquisaca, vizinha a Potosí, o presidente Morales não se referiu diretamente ao tema, mas assinalou que "em todos os tempos houve traidores, houve gente que em vez de estar do lado de seu povo ficou do outro lado". "Não faltarão traidores, mas o povo vai continuar apoiando e vendo as mudanças. Alguns dizem que não há mudança. Teriam que ser cegos para não ver ou surdos para não escutar", sustentou. Setores de camponeses, indígenas e operários leais a Morales deram um prazo de 48 horas a Comcipo para suspender os protestos e dialogar e ameaçaram se mobilizar em defesa do governo. EFE gb/cd











