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Livro revela tensões entre Hillary Clinton e Obama em relação ao Afeganistão

Internacional|Do R7

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Washington, 4 mar (EFE).- A Casa Branca sob o comando de Barack Obama bloqueou repetidamente as recomendações da então titular das Relações Exteriores, Hillary Clinton, e sua equipe em relação ao Afeganistão, de acordo com um novo livro de um antigo assessor do Departamento de Estado. A revista "Foreign Policy" publicou nesta segunda-feira trechos do livro "The Dispensable Nation" ("A Nação Dispensável", em tradução livre), que será lançado no próximo mês e que já provocou reações incômodas na Casa Branca e no Departamento de Estado. Escrito por Vali Nasr, um ex-assessor do enviado especial dos Estados Unidos para o Afeganistão e Paquistão no final de 2010, Richard Holbrooke, o livro assegura que a Casa Branca boicotou os esforços desse funcionário, muito próximo a Hillary, para impulsionar o processo de paz afegão e as negociações com os talibãs. Holbrooke era um assessor de Hillary que "teria sido secretário de Estado se ela tivesse sido presidente", e a quem a ex-primeira-dama quis nomear como seu "número dois" na diplomacia, mas a Casa Branca "o vetou", receosa ainda de seu papel protagonista na campanha primária de 2008 contra Obama, segundo Nasr. "As batalhas políticas existem em qualquer Administração, mas a Casa Branca de Obama foi particularmente voraz", escreveu. "O círculo próximo a Obama, composto por veteranos de sua campanha, suspeitava de Hillary. Mesmo depois que ela provou que podia trabalhar em equipe, seguiam preocupados por sua popularidade e temiam que pudesse ofuscar o presidente", acrescentou. "Hillary se dava bem com Obama, mas no Afeganistão e no Paquistão o Departamento de Estado teve que lutar com todas suas forças para ser escutado na Casa Branca", afirmou Nasr. Holbrooke, falecido em dezembro de 2010, "ficava excluído das videoconferências de Obama com (o presidente afegão, Hamid) Karzai, e lhe deixaram fora da comitiva presidencial quando Obama foi ao Afeganistão" no início de seu primeiro mandato, indica o livro. "A campanha da Casa Branca contra o Departamento de Estado, e especialmente contra Holbrooke, foi em algumas ocasiões um teatro do absurdo", assegurou Nasr. A Casa Branca via com ceticismo o escritório que Holbrooke criou no Departamento de Estado, e a proposta do diplomata de iniciar negociações com os talibãs "teve que esperar 18 meses" até que a residência presidencial decidiu adotá-la. Uma vez iniciadas essas conversas, em 2011, a decisão de Obama de começar a retirar as tropas que tinha enviado um ano antes "apagou as perspectivas de uma boa solução", ao enviar ao talibã a mensagem de que os EUA já não lutariam no país. Nasr garante ainda que, quando Holbrooke morreu, a Casa Branca se negou a substituí-lo por John Podesta, o ex-chefe de gabinete de Bill Clinton, como queria a secretária de Estado. Questionado sobre o livro, o assessor adjunto para Exteriores da Casa Branca, Ben Rhodes, disse ao jornal "The New York Times" que não é costume incluir pessoal do Departamento de Estado em videoconferências presidenciais e que era "essencial" marcar uma data de retirada do Afeganistão para que o governo de Karzai assumisse sua responsabilidade. Por sua parte, o Departamento de Estado, através de seu porta-voz Patrick Ventrell, defendeu que tem "uma excelente relação com seus companheiros da Casa Branca" e que "faz contribuições" à política externa. EFE llb/rsd

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