Longe de acordo sobre a Síria, G8 realiza cúpula blindada na Irlanda do Norte
Internacional|Do R7
(Acrescenta declarações sobre a economia mundial e a Síria). Patricia Souza. Enniskillen (R.Unido), 17 jun (EFE).- A cúpula do G8, formada pelos países mais industrializados do mundo mais a Rússia, começou nesta segunda-feira em um isolada e idílica paragem norte-irlandesa, dominada pelas diferenças sobre o conflito da Síria e rodeada de um dispositivo de segurança sem precedentes. Os chefes de Estado e de Governo de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Itália, Canadá e Rússia estarão reunidos durante dois dias no exclusivo hotel de Lough Erne, à beira de um lago, protegidos por uma cerca de sete quilômetros e por um esquema policial nunca visto nesta província britânica de passado conflituoso. Sob céu nublado e chuva intermitente, o G8 evidenciou desde o início suas diferenças internas sobre o conflito na Síria entre partidários e opositores do regime de Bashar al Assad, que causou mais de 90 mil mortes em dois anos e que marcará a agenda política do encontro. Após uma longa reunião bilateral de duas horas, Putin e Obama afirmaram nesta noite que persistem suas divergências sobre a solução ao conflito da Síria, mas que é preciso que as partes enfrentadas negociem e destacaram que compartilham o interesse de pôr fim à violência. O G8 chega a Lough Erne, perto da tranquila cidade de Enniskillen, depois que os EUA asseguraram que há evidências que o regime sírio utilizou armas químicas contra os rebeldes e após a rejeição da Rússia à criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Síria por considerar que viola o direito internacional. A cúpula dos países mais ricos do mundo durará apenas 24 horas, das 11h30 (de Brasília) de hoje até aproximadamente a mesma hora de amanhã, mas tem uma agenda muito aperta que inclui debates sobre a economia global, a liberalização comercial, a luta contra o terrorismo, a transparência e o combate contra a evasão fiscal. Hoje a primeira sessão plenária tratou o estado da economia mundial, que o G8 concorda que se encontra em melhor situação que na reunião do ano passado em Camp David (EUA), como destacaram alguns dos participantes. As perspectivas da economia global seguem sendo "fracas", mas os "riscos em baixa" remeteram graças às iniciativas tomadas nas grandes áreas monetárias do G8 - eurozona, Japão e EUA - e à "resistência" das economias emergentes, assinalaram. Segundo Van Rompuy, a eurozona superou "a ameaça existencial" que pairava há um ano sobre a moeda única e a União Europeia pode assegurar aos países do G8 que sua situação econômica melhorou desde então. Pouco antes que começasse o encontro, Obama, Cameron e os representantes da UE, todos eles sem gravata, anunciaram o início oficial em julho das negociações de um tratado de livre-comércio entre EUA e UE, que poderia demorar dois anos para ser concluído. "Acho que estas negociações serão difíceis e vamos ter sensibilidades que teremos que abordar", destacou o presidente dos EUA, enquanto o premiê britânico falou de "uma oportunidade em uma geração" para criar "mais empregos, preços mais baixos e ajuda para as famílias trabalhadoras". Nesta cúpula, Cameron quer levar adiante compromissos contra a fraude e a evasão fiscal, perante o crescente escândalo pelas estratégias que as multinacionais utilizam para evitar pagar impostos no país no qual operam, através de paraísos fiscais. Impostos, transparência e comércio é o lema eleito pelo premiê britânico para a reunião, que evitou abordar os países em desenvolvimento e as estratégias contra a pobreza, como ocorreu na última cúpula britânica em Gleneagles (Escócia) em 2005, algo que Cameron justifica pela necessidade de garantir a recuperação. "Este enfoque nos permite ir diretamente às causas da pobreza e não em seus sintomas", ressaltou o líder conservador britânico, para quem a liberalização comercial é fundamental para a melhoria econômica global. A cúpula começou no mesmo dia em que o jornal "The Guardian" denunciou uma possível espionagem do Reino Unido durante as reuniões do G20 em 2009 para participar das negociações em situação vantajosa. EFE psh/rsd (foto) (vídeo)









