Lula critica onda de ajustes fiscais e afirma que Merkel fez com a “Europa o que duas guerras não conseguiram”
Ex-presidente do Brasil atacou modelo europeu adotado como solução para crises financeiras
Internacional|Filippo Cecilio, do R7 com agências
O ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva criticou durante uma palestra na Universidade Federal do ABC, nesta quinta-feira (18), as políticas fiscais adotadas pela zona do euro como opção para solucionar a crise financeira da região. Para o líder, as ações causaram um enorme prejuízo para a economia do continente:
—Merkel está com tanto poder que conseguiu fazer com a Europa o que duas guerras não fizeram.
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Lula também afirmou que os reajustes foram muito radicais e acabaram afetando diretamente a população dos países mais atingidos pela crise.
—Não precisa ser um ajuste fiscal imediato, pode-se fazer em 10 ou 15 anos.
O ex-presidente acredita que as medidas adotadas pelas autoridades europeias, sobretudo contra Portugal, Espanha e Grécia, foram muito duras e não surtiram o efeito desejado.
—Você tinha uma crise na Grécia de 30 bilhões, agora nem 200 bilhões resolvem o problema.
Neste sentido, nesta quinta-feira (18), o governo grego anunciou a demissão de 25 mil funcionários públicos até o final de 2013.
A lei faz parte do pacote de reformas gerais da administração pública exigido pela Troika — o grupo formado por UE (União Europeia), BCE (Banco Central Europeu ) e FMI (Fundo Monetário Internacional) — como condição para desbloquear uma nova parte dos recursos previstos no plano de resgate para a economia grega.
Nos últimos dias, uma greve geral em protesto contra a reforma paralisou a Grécia e numerosas outras manifestações foram registrados em todo o país.
O conselheiro-executivo do BCE, Joerg Asmussen, declarou que se a Grécia completará o processo de reformas concordado com a Troika, poderão chegar em breve recursos europeus por um valor total de 7 bilhões de euros (cerca de R$ 20,44 bilhões). Asmussen salientou como "não ajuda" continuar falando de um possível corte da dívida pública grega, já que "isso tira a atenção do fato que agora o objetivo é continuar com as reformas"
Portugueses, italianos e espanhóis também estão na lista dos países afetados pelos cortes exigidos pelos membros da Tróika. Nessas nações, a população está constantemente protestando contra os cortes nos salários, pensões e investimentos públicos.
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