Maduro completa 100 intensos dias de governo
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 27 jul (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, completa amanhã cem dias de governo com um Executivo estável após a tensão pós-eleitoral de abril, mas imerso em um sem-fim de batalhas e conflitos no terreno econômico, no sempre polarizado cenário político e na arena internacional. No último dia 15, Maduro se casou com sua companheira Cilia Flores. Foi um dos poucos momentos de descontração que teve desde que, em 14 de abril, ganhou a disputa nas urnas contra seu opositor Henrique Capriles, que até hoje não reconheceu esse triunfo nas eleições presidenciais. Em cem dias, Maduro viveu uma crise política pós-eleitoral, ameaçou com a prisão setores da oposição e governadores, acusando-os de golpismo e denunciando vários tentativas de magnicídio. O governante viu a inflação disparar, a economia se desacelerar, o dólar se fortalecer no mercado ilegal paralelo e aumentar o desabastecimento de produtos de consumo em massa, com o desaparecimento, inclusive, do papel higiênico das prateleiras dos supermercados. Reconciliado com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos; ele começou um diálogo com os Estados Unidos que terminou um mês e meio depois; fez do governo espanhol objeto contínuo de críticas, incluindo uma chamada para consultas de seu embaixador em Madri, e abriu e fechou em 24 horas um litígio diplomático com o Peru. Além disso, se introduziu no centro da polêmica pelo caso do ex-técnico da CIA Edward Snowden, oferecendo-lhe um asilo político que não se concretizou. Maduro transformou o discurso polarizado e agressivo, sequela do tom verbal de Chávez, em uma ferramenta cotidiana, mas também abriu um diálogo com setores empresariais e reconheceu problemas econômicos, o que alguns interpretam como um sinal de flexibilização. "Houve uma mistura um pouco rara de radicalização política com tentativa de moderação econômica, que não se consolidou em nenhuma das duas", afirmou à Efe o presidente do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León. Maduro começou sua gestão em meio à convulsão e aos protestos gerados após as eleições de 14 de abril e que segundo o governo deixaram dez mortos e mais de 80 feridos, um balanço do qual a oposição responsabiliza o governo. Hoje continuam as acusações e o tom duro contra a oposição, alimentando um discurso polarizado que se continua apresentando como um instrumento de coesão interna do chavismo, sobretudo entre os que defendem um modelo socialista mais radical. "Maduro parece estar obrigado a ser um líder mais transacional que Chávez, Chávez tinha um enorme capacidade de influência (...) e portanto estes sinais contraditórios talvez sejam o resultado das circunstâncias em que lhe cabe tomar decisões", afirmou Magdaleno. "O governo reconheceu infinitamente melhor os problemas econômicos do país que o governo de Chávez", indicou León, apontando no entanto que "assim como na radicalização, há mais discurso que ação, na moderação econômica ocorre o mesmo: o governo reconhece, anuncia, negocia, mas não atua". No âmbito internacional, Maduro foi muito sensível aos comentários pós-eleitorais, gerando situações de tensão com vários países, incluindo Espanha e Estados Unidos. No entanto, as acusações mais duras foram para o governo de Santos, que se reuniu com Capriles após o pleito e recebeu uma série de impropérios, o que deixou as relações com a Colômbia na berlinda. Segundo Nícmer Evans, professor da Universidade Central da Venezuela, o "grande desafio" para Maduro é encontrar soluções em âmbitos como o econômico, com ações que têm que ser diferentes das do modelo de Chávez, mas sem se afastar da essência do chavismo. Nesse sentido, ele afirmou que o modelo não mudou "ainda", "mas vai chegar o momento em que isso acontecerá, porque os tempos de Chávez são diferentes dos tempos de Nicolás Maduro", disse. EFE jlp/id (foto)











