Maduro diz que processo pós-operatório de Chávez será longo e difícil
Cirurgia de seis horas foi bem sucedida, anunciou governo
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (12) que o presidente do país, Hugo Chávez, terá um processo pós-operatório longo e difícil após a cirurgia à qual se submeteu ontem em Havana.
"A operação de ontem foi complexa, difícil, delicada, o que nos diz que o processo pós-operatório vai ser também complexo e duro", declarou Maduro em cadeia nacional de rádio e televisão.
O vice-presidente e chanceler, apontado pelo próprio Chávez como seu sucessor, fez o pronunciamento acompanhado do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e do ministro de energia e petróleo, Rafael Ramíres.
— (Que) nosso povo esteja serenamente preparado para enfrentar esses dias duros, complexos e difíceis que nos levará a viver cenários complexos e difíceis.
Ao final, Maduro pediu aos setores que "odeiam" o presidente Chávez que "cessem as especulações e mentiras".
—Basta de tanto ódio. É uma minoria tão pequena como venenosa.
Ansiedade
Venezuelanos aguardavam ansiosamente por mais detalhes sobre a condição de saúde de Chávez em Cuba depois da realização de uma cirurgia considerada bem-sucedida pelo governo, mas ainda cercada de sigilo.
Simpatizantes do presidente fizeram vigílias por todo o país, assim como opositores desejaram que o líder socialista de 58 anos tivesse uma boa recuperação.
Os riscos são enormes — não apenas para a liderança do país, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, mas também para os aliados da América Latina e do Caribe que dependem dos generosos subsídios de petróleo de Chávez e de outros auxílios.
O governo comunista do presidente Raúl Castro em Cuba está especialmente vulnerável, em razão de sua dependência dos mais de 100 mil barris de petróleo por dia da Venezuela.
Após 14 anos de acrimônia com Chávez, o governo norte-americano também observa atentamente a situação.
Possível sucessão
O governo da Venezuela anunciou que a operação feita na terça-feira com seis horas de duração terminou "corretamente e com sucesso". É a quarta cirurgia de Chávez em Havana desde meados de 2011 para combater um câncer recorrente na região pélvica.
Nenhum detalhe médico foi divulgado, deixando os venezuelanos mais uma vez sem saber o tipo de câncer que Chávez tem e se todos os tecidos malignos foram totalmente removidos.
Os líderes da oposição criticaram o governo por falta de transparência, comparando o caso de Chávez com os relatórios médicos detalhados divulgados durante outros casos de câncer em líderes da América Latina nos últimos anos.
Chávez mudou o cenário antes de viajar para Cuba ao indicar Maduro como seu substituto preferido e pedindo que os venezuelanos votem nele caso seja convocada uma nova eleição com a sua saída do governo.
Maduro, que também é chanceler, está tocando o governo. Outras autoridades, como o presidente do Congresso Diosdado Cabello e o ministro da Energia Rafael Ramirez, estão com Chávez em Havana.
Chávez precisa voltar à Venezuela até o dia 10 de janeiro, quando assume mais um mandato presidencial. Caso contrário, novas eleições serão convocadas.










