Maduro é proclamado vencedor e promete cumprir legado de Chávez
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 15 abr (EFE).- O presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, foi proclamado nesta segunda-feira vencedor das eleições de domingo em um ato no qual prometeu cumprir o legado do falecido Hugo Chávez e criticou a oposição pelo que chamou "tentativa de desconhecimento das instituições". "Eu sou filho de Chávez, sou chavista, sou o primeiro presidente chavista após Hugo Chávez Frias e vou cumprir plenamente seu legado de proteger os humildes, os pobres, de proteger a pátria, de cuidar da independência, de cuidar da pátria, de construir o socialismo", discursou Maduro. O homem que Chávez ungiu como seu sucessor foi proclamado vencedor em um dia agitado, marcado por protestos por parte dos seguidores do líder opositor, Henrique Capriles. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) indicou Maduro como ganhador com 7.563.747 votos (50,75%), frente os 7.298.491 (48,97%) de Capriles, que reiterou hoje que não reconhecerá os resultados até que seja realizada uma recontagem. O candidato opositor pediu que o ato de proclamação fosse adiado até ser feita uma nova apuração voto por voto. No entanto, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, criticou o pedido e disse que com ele se pretendia voltar à "vulnerável apuração manual". Tibisay considerou que os comprovantes emitidos pelas máquinas automatizadas de voto "constituem em um meio para a verificação do perfeito funcionamento do sistema". Além disso, argumentou que os votos "são registrados na memória da máquina". Maduro mudou sua predisposição inicial para uma recontagem e defendeu os resultados que lhe deram uma vitória apertada. "Maioria é maioria e deve ser respeitar', disse. "Quem pretende enfraquecer a maioria em uma democracia o que está é dando ou convocando um golpe de Estado. A Venezuela está a caminho da preparação de uma tentativa de desconhecimento das instituições democráticas", protestou. Maduro acrescentou que "na democracia não se podem buscar emboscadas, invenções para vulnerabilizar a soberania popular, a vontade popular da maioria na democracia, isso só tem um nome: golpismo". O candidato eleito disse ainda que a oposição tem uma overdose de prepotência, de ódio e de vingança. Em um discurso no qual fez reiteradas menções à figura de Hugo Chávez, morto em 5 de março, Maduro voltou a insistir em suas críticas à oposição e na suposta "guerra suja" que nas últimas semanas denunciou de forma repetida. "Não foi uma campanha eleitoral, foi uma guerra contra o povo", afirmou ao mencionar a invasão de várias contas do Twitter, incluída a sua, e os cortes de luz em várias cidades. "Chamo pela prudência, estão buscando fatos de violência, a todos os corpos de segurança: prudência, cuidado com um infiltrado que vá disparar", advertiu Maduro. No entanto, o líder chavista reconheceu que é preciso fazer uma autocrítica "justa, sem autoflagelação", e construir uma nova liderança. "Temos que formar novo governo. Vamos pensar bem em que fazer. Por agora ratifico Jorge Arreaza como vice-presidente deste governo", adiantou. Maduro revelou ainda que no domingo mesmo recebeu felicitações de vários presidentes por sua vitória e prometeu realizar uma gestão "próxima do povo". "Eu vou pelos caminhos, para construir a nova legitimidade da revolução bolivariana, povo por povo, cidade por cidade", anunciou em meio a aplausos das autoridades presentes, entre elas parte do corpo diplomático credenciado em Caracas. No momento em que Maduro era proclamado, milhares de opositores manifestaram sua rejeição com protestos e um panelaço em Caracas. Na Praça de Altamira, no tradicionalmente opositor município caraquenho de Chacao, centenas de pessoas se reuniram para pedir a apuração dos votos e defender o desejo de Capriles. Vários governos latino-americanos parabenizaram hoje Maduro por seu triunfo eleitoral, enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) e os EUA respaldaram o pedido de Capriles para a recontagem dos votos. EFE jlp/dk (fotos)(vídeo)











