Mais de 100.000 deslocados kachin aguardam ajuda da ONU em Mianmar
Internacional|Do R7
Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 7 fev (EFE).- Mais de 100.000 deslocados da minoria kachin, com carências de alimentos e remédios, aguardam a ajuda das Nações Unidas depois que o Governo de Mianmar retirou o bloqueio de ajuda e retomou as negociações de paz. Desde que os combates começaram há 19 meses, mais de 100.000 birmaneses foram obrigados a deixar seus lares no estado Kachin, no nordeste do país, enquanto entre 7.000 e 10.000 cruzaram a fronteira chinesa e foram hospedados em campos. "A situação dos deslocados é extremamente difícil, especialmente entre as mulheres e as crianças. Sofrem problemas de saúde por causa da carência de alimentos, remédios e água potável", explicou à Agência Efe Moon Nay Li, coordenadora da Associação de Mulheres Kachin na Tailândia. No entanto, o reatamento esta semana do diálogo entre o Governo birmanês e a Organização para a Independência Kachin (KIO) e o desbloqueio da ajuda das Nações Unidas abriu um resquício de esperança para os deslocados. As más condições de saúde causaram surtos de diarreia nos campos de deslocados, onde pelo menos três crianças morreram e outros dez tiveram que ser atendidos em um hospital, segundo uma médica do hospital de Laiza, o quartel-general do KIO. Os combates se intensificaram em dezembro do ano passado, quando o Exército lançou ataques aéreos e com artilharia pesada sobre as posições rebeldes e que causaram um número indeterminado de mortos entre a população civil. Após o anúncio de várias tréguas de uma e outra parte, quebradas sistematicamente, as autoridades birmanesas e o braço político da guerrilha kachin começaram na segunda-feira passada contatos exploratórios, em território chinês, para retomar as negociações de paz. "Agora é o momento de ter uma conversa e negociar pela paz, já que tudo o que o povo quer é paz e estabilidade", declarou o primeiro-ministro birmanês, Thein Sein, que assumiu a Presidência após a dissolução da Junta Militar em março de 2011. Na reunião realizada na cidade de Ruili, na província chinesa de Yunnan, ambas as partes acertaram trabalhar para reduzir a tensão e voltar a se reunir no final fevereiro na presença de observadores internacionais e de outras minorias étnicas birmanesas. Os avanços diplomáticos foram possíveis pelo apoio das autoridades chinesas, interessadas em manter a paz em sua fronteira, onde recebeu milhares de refugiados kachin e até o impacto de alguns projéteis, e por seus interesses nos recursos naturais birmaneses. O Exército de Independência Kachin, braço armado da KIO, surgiu nos anos 60 em resposta ao golpe militar que manteve Mianmar governada por generais desde então e até 2011. Em 1994 assinou um cessar-fogo que se manteve vigente até junho de 2011, quando soldados birmaneses e guerrilheiros kachin se enfrentaram perto de uma central hidroelétrica construída por uma empresa chinesa. Um ano antes, em 2010, o diálogo entre ambas as partes sofreu com a demanda do Governo para que a guerrilha kachin se integrasse no Exército birmanês como uma força de fronteira, tal como estipula a Constituição aprovada em 2008 e que também motivou ofensivas militares contra a minoria karen, shan e kokang. Os kachin pedem que seus direitos e maior autonomia sejam respeitados, tal como recolhiam os acordos assinados em 1947 com o herói da independência birmanesa Aung San, pai da nobel da paz e atual líder opositora, Aung San Suu Kyi. Uma autonomia superior é a principal reivindicação da maior parte das minorias étnicas birmanesas, que incluem os shan, karen, rakhine, mon, kachin, chin e kayah, e representam mais de 30% dos 53 milhões de habitantes do país. EFE grc/ma












