Mais de uma década de crise nuclear entre Irã e a comunidade internacional
Internacional|Do R7
Genebra, 24 nov (EFE).- Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China, Rússia mais Alemanha, o grupo do G5+1, chegaram em Genebra a um acordo com o Irã que paralisará durante seis meses o programa nuclear iraniano, enquanto se negocia um acordo global e definitivo. O acordo prevê que o Irã terá acesso a US$ 4,2 bilhões e em troca se compromete a interromper o processamento de urânio enriquecido a 20% e só poderá fazê-lo abaixo de 5%, percentual suficiente para uso civil. Além disso, não ampliará as usinas nucleares de Fordo e Natanz, nem a usina de água pesada de Arak, ainda em construção e que ao começar a operar seria capaz de produzir plutônio. A chegada ao poder do novo presidente iraniano, Hassan Rohani, em agosto, considerado um pragmático, deu um impulso a um entendimento que seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad, não foi capaz nem queria chegar. No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já expressou no início do mês ao secretário de Estado americano, John Kerry, sua taxativa oposição ao acordo das potências ocidentais com o Irã. Durante mais de dez anos a comunidade internacional - com os EUA à frente - acusaram Teerã de fabricar urânio altamente enriquecido em instalações como as de Natanz e de Arak com atividades ocultas para construir uma arma nuclear. O Irã se defendeu com a alegação que se tratar de um programa com fins pacíficos. Cronologia de uma década de crise nuclear: 2002 Um canal de televisão americano anuncia que estão se desenvolvendo armas nucleares no Irã. 2003 Fevereiro.- O presidente iraniano, Mohammad Khatami, garante que o Irã produzirá combustível nuclear. Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) começam a visitar as instalações. Novembro.- A AIEA assinala que o Irã admite ter produzido pequenas quantidades de urânio altamente enriquecido. 2004 Novembro.- Alemanha, França e Reino Unido conseguem que o Irã aceite suspender as atividades de enriquecimento de urânio durante as negociações. 2005 Abril.- Teerã anuncia que porá em funcionamento a conversão de urânio na central de Isfahan. 2006 14 fevereiro.- Irã confirma que reiniciou as atividades nucleares em Natanz. 23 dezembro.- O Conselho de Segurança aprova a resolução 1737 que impõe sanções ao Irã. 2007 22 janeiro.- O Irã proíbe a entrada de 38 inspetores da AIEA no país. 12 fevereiro.- A UE impõe sanções. 24 março.- Resolução 1747 do Conselho de Segurança com novas sanções ao país. 2008 3 março.- Resolução 1803 da ONU com uma terceira rodada de sanções. 8 abril.- O presidente Mahmoud Ahmadinejad anuncia a instalação de seis mil novas centrífugas em Natanz. 23 junho.- Novas sanções da UE, que atingem o principal banco iraniano, o Melli. 2009 8 abril.- O Irã anuncia que não renunciará a sua atividade nuclear, apesar da oferta do presidente americano Barack Obama de melhorar seu status na cena internacional. 2010 7 fevereiro.- Ahmadinejad inicia o processo de enriquecimento de urânio a 20%. 2011 8 janeiro.- O Irã garante ter capacidade de produzir placas de combustível nuclear. 21 janeiro.- Istambul acolhe uma reunião entre Irã e o grupo 5+1. Teerã exige acabar com as sanções para chegar a um acordo nuclear. 19 julho.- O Irã anuncia que a nova geração de centrífugas para o enriquecimento de urânio a 20% começaram a ser colocadas nas instalações nucleares. 18 novembro.- A AIEA adota uma resolução contra o Irã por suas atividades nucleares. 2012 9 janeiro.- A AIEA confirma que o Irã começou a produção de urânio enriquecido com uma pureza de 20% em sua usina de Fordo. 23 janeiro.- A UE aprova o embargo das importações de produtos petroleiros vindos do Irã. 19 fevereiro.- Em resposta, o Irã suspende as exportações de petróleo à França e Reino Unido. 24 fevereiro.- A AIEA adverte que o Irã já dispõe de 110 quilos de urânio enriquecido quase até a 20%, o que representa metade da quantidade necessária para fabricar uma bomba nuclear. 1 julho.- A União Europeia iniciam o embargo petroleiro. 2013 6 abril.- O Irã insiste em seu direito de enriquecer urânio, seja a 5% ou a 20% durante a quinta rodada de negociações com o Grupo 5+1. 17 agosto.- Mais de 700 centrífugas de Natanz e de Fordo enriquecem urânio a 20%, segundo o ex-diretor do Organismo nuclear iraniano (OEAI), Fereydun Absi. 27 setembro.- Obama e o novo presidente do Irã, Hassan Rohani, mantêm uma histórica conversa, a primeira entre os máximos líderes dos dois países desde 1979, sobre o programa nuclear iraniano e que encoraja as expectativas de um possível acordo. 16 outubro.- Termina sem acordo a primeira rodada de negociações entre o G5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, mais Alemanha) e o Irã sobre o programa nuclear da República Islâmica. 9 novembro.- A segunda rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano termina sem acordo entre o G5+1 e Teerã. 11 novembro.- O organismo Internacional de Energia Atômica assina uma declaração conjunta com as autoridades iranianas para fortalecer a cooperação e as inspeções nucleares na República Islâmica. 24 novembro.- A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, confirmam que chegaram a um acordo sobre o programa nuclear iraniano entre Teerã e o G5+1. msp/cd











