Manifestação de centrais sindicais termina em confronto com a polícia no Rio
Internacional|Do R7
Por Luísa Dalcin. Rio de Janeiro, 11 jul (EFE).- A manifestação das centrais sindicais de trabalhadores que começou nesta quinta-feira por volta das 16h30 na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, dispersou menos de três horas depois na Cinelândia, devido ao confronto de um pequeno grupo de manifestantes com a polícia. A manifestação reuniu, segundo a Polícia Militar, cerca de 2,5 mil pessoas, embora números não oficiais indiquem a participação de cerca de 5 mil manifestantes. A concentração do protesto começou na Candelária de forma pacífica, com o auxílio de seis carros de som e forte presença de bandeiras, balões e camisetas de partidos como PSTU e PSOL, além de várias representações sindicais, como União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Conlutas, Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com o avançar da passeata pela Avenida Rio Branco, outros movimentos se uniram ao protesto sindical, como o grupo indígena que reivindica a devolução da Aldeia Maracanã para os índios e um grupo de jovens que carregava a faixa com os dizeres "Polícia que reprime na avenida é a mesma que mata na favela", assinado pela Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que pedia em cartazes o fim da Polícia Militar. "Não permitiremos vandalismo nem mascarados no nosso movimento", disse um representante sindical no alto de um carro de som, pouco antes de um pequeno grupo de pessoas entrar em confronto com a polícia na altura da rua Almirante Barroso. Segundo o presidente da UGT, Nilson Duarte Costa, de 70 anos, os manifestantes pediam a redução da jornada de trabalho, um salário digno para os aposentados, o fim das privatizações e mudanças drásticas na saúde e na segurança. "Julho representa um mês de revoluções em outros países, mas para a gente não é revolução, é reivindicação. Só queremos que o governo nos escute", disse Costa. Líbia Belucci, 29 anos, vice-presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SindEnfRJ), afirmou que a reivindicação dos profissionais de enfermagem é que "a presidente Dilma não esqueça a proposta de campanha que prometia aprovar o projeto de lei de 30 horas semanais para os enfermeiros". "Trabalhar 30 horas não é trabalhar menos, é ter qualidade de serviço. É melhora do atendimento para o paciente. Nós temos hoje profissionais de enfermagem adoecendo por causa de carga excessiva de trabalho. Precisamos de qualidade e dignidade para o trabalhador", declarou a enfermeira. Raquel Simon, de 29 anos, professora, é filiada ao Sinpro Rio, Sindicato dos Professores do município do Rio de Janeiro, mas participava de uma manifestação pela primeira vez. "Acho importante que os sindicatos começaram a se posicionar e a aparecer. Até então, as manifestações não tinham partido. Agora os partidos estão fazendo parte disso e tomando a frente", comentou. A professora estranhou a escassa participação de jovens no movimento de hoje. "A filiação não é realmente um costume dos mais jovens, mas acho que isso está começando a mudar", afirmou. A manifestação dispersou quando se aproximava do Teatro Municipal, onde a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo em um pequeno grupo de manifestantes que causou tumulto, enquanto o hino nacional soava nos carros de som das centrais sindicais. ld/rd











