Manifestantes não se intimidam e se recusam a desocupar parque em Istambul
Internacional|Do R7
Antonio Sánchez Solís. Istambul, 13 jun (EFE).- Os manifestantes acampados no parque Gezi em Istambul reagiram com ceticismo e uma certa indiferença ao comunicado de sentido duplo - concórdia e ameaça - enviado pelo governo turco há menos de 24 horas, com o objetivo de tentar acalmar os protestos que já duram duas semanas. "É que não podemos acreditar no que dizem", afirmou Jasemin ao se se referir ao referendo para decidir o futuro do parte proposto ontem pelo primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Esse foi o primeiro sinal de interesse em iniciar uma negociação mostrado pelo chefe de Estado após semanas de insultos e acusações contra os manifestantes a quem Erdogan chama de saqueadores e entre os quais diz haver "terroristas". A ideia do referendo não foi aceita pelos ativistas que estão no parque Gezi porque acham que a proposta não é verdadeira e que os resultados da votação podem ser adulterados. "É muito fácil manipular esse referendo", alertou Jasemin em declaração â Agência Efe. A educadora social Gülüzar, que está no acampamento em Gezi desde o início dos protestos, também concorda com esse ponto de vista. "Se houver um referendo, votos serão comprados pelo governo", garantiu ela. Ao ser questionada sobre o fato de Erdogan ter um grande apoio popular, motivo pelo qual ganhou as eleições de 2011 com maioria absoluta, Gülüzar afirmou que muitos dos que estão em Gezi agora são antigos eleitores do primeiro-ministro que se decepcionaram com sua gestão. "Uma coisa temos que agradecer: ele uniu todos nós", disse. Sobre a duração dos protestos, ele acredita que, enquanto houver a presença da imprensa internacional, o governo não se atreverá a abusar da violência para reprimí-los. Jemay, estudante de planejamento urbanístico, afirmou que não tem medo do ultimato do primeiro-ministro, que ontem disse que o tema dos protestos estaria resolvido em 24 horas. Hoje, Erdogan emitiu um "último aviso" para que so parque seja desocupado. "Não nos importa o que diga. Não acho que ele possa fazer mais do que já fez", disse, referindo-se ao uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos d'água pela polícia. "Minha mãe sabe que o que estou fazendo está certo, mas tem medo por mim", explicou em relação ao pedido de Erdogan para que os pais "se encarregassem de seus filhos" e os tirassem do parque. "Meus filhos estão aqui", afirmou, orgulhosa, uma mãe entre os manifestantes em Gezi. Enquanto a polícia não age contra os manifestantes, há quem encare a situação com bom humor, e garanta que já se acostumou com o gás de pimenta. Há, ainda, manifestantes que encaram o posicionamento de Erdogan como um desafio e, inclusive, desejam que ele ordene a expulsão forçada dos acampados. "Espero que ele faça isso. Seria um erro de sua parte, e mais gente se juntaria ao protesto", disse Hayrullah, que mostra a ferida deixada por uma bala de borracha que a atingiu na última terça-feira durante confronto com a polícia. EFE as-iut/apc/id (vídeo)










