Médicos Sem Fronteiras alerta que civis são alvos dos novos ataques na RCA
Internacional|Do R7
Nairóbi, 11 set (EFE).- A organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou nesta quarta-feira que a população civil é o principal alvo dos ataques nesta nova onda de violência na República Centro-Africana, onde pelo menos 60 pessoas morreram desde o último fim de semana. Em comunicado, a MSF denunciou as "atrocidades" que estão sendo cometidas pelos dois bandos do conflito, os leais ao ex-presidente François Bozizé e os membros da coalizão Séléka que o derrubaram. Diante deste contexto, a organização chamou às partes envolvidas para conter a "retórica sectária e inflamada" que começou a ser utilizada durante a rebelião do último mês de março, a qual "poderia alimentar ainda mais a violência" no país. "Estamos muito preocupados pela escalada dos combates e dos atos de represália da violência", declarou o coordenador de projetos da MSF na República Centro-Africana, Sylvain Groulx, que ressaltou que os combates foram retomados no último fim de semana nas imediações da cidade de Bossangoa, no norte do país. Concretamente, na aldeia de Bouca, homens leais ao ex-presidente Bozizé realizaram uma série de execuções sumárias e queimaram várias casas, segundo a MSF, que atendeu um total de 26 pessoas com ferimentos de facão e disparos em suas instalações na região, enquanto outros cinco feridos, em estado crítico, foram transferidos ao hospital da organização em Batangafo. A maioria dos residentes de Bouca fugiu em direção à floresta, onde há um alto risco de contraírem malária, e outras 300 pessoas se refugiaram em um recinto católico da aldeia. Em Bossangoa, as equipes da ONG também atenderam mais de 25 pessoas feridas por facão e disparos nas últimas duas semanas. Além disso, dois trabalhadores humanitários foram assassinados no último sábado nessa mesma cidade. "A MSF denuncia estes atos horríveis de violência contra a população e faz uma chamada para todas as partes respeitar a segurança dos não combatentes e trabalhadores humanitários", afirmou Groulx. Por enquanto, a organização manterá seus 11 projetos desdobrados no país - criados antes e depois do golpe de Estado que depôs Bozizé em março - para atender as necessidades urgentes da população. Os centro-africanos estão sendo vítimas de deslocamentos, altos níveis de malária e da ausência de um sistema de saúde pública. A coalizão Séléka, composta por quatro grupos rebeldes, pegou em armas no norte do país em dezembro de 2012 ao considerar que Bozizé não tinha respeitado alguns acordos de paz assinados em 2007. Após um processo negociador que culminou com a assinatura de uns acordos de paz entre o governo centro-africano e a Séléka em janeiro, o pacto não satisfez as exigências dos insurgentes, que retomaram a ação armada em março. Após derrubarem o governo de Bozizé, a Séléka nomeou o líder Michel Djotodia como presidente, quem agora lidera um governo de transição que deveria promover a convocação de novas eleições no país. EFE dgp/fk













