Milhares de ex-combatentes se reúnem no 10º aniversário da invasão do Iraque
Internacional|Do R7
Washington, 24 mai (EFE).- Dezenas de milhares de ex-combatentes começaram a reunir-se nesta sexta-feira nos arredores de Washington, onde no domingo, com o rugir de suas motocicletas, lembrarão seus camaradas, homens e mulheres, mortos nas guerras dos Estados Unidos. O Memorial Day, que os Estados Unidos lembrarão na segunda-feira, ocorre este ano no 10º aniversário da invasão americana do Iraque e em meio ao mal-estar pelos cortes das despesas do governo, que também afetam os serviços destinados aos que sofreram ferimentos em conflitos armados, ficaram incapacitados ou sofreram danos psicológicos. Em 1987, os ex-combatentes do Vietnã, que tiveram o infortúnio de lutar na primeira guerra perdida pelos Estados Unidos, realizaram seu primeiro desfile em honra própria em um país que nunca lhes agradeceu por seu serviço. O que então foi um desfile com 2,5 mil motocicletas se transformou em uma demonstração que, segundo seus organizadores, chegou a contar com mais de 80 mil motociclistas, desde sexagenários que lutaram no sudeste asiático a mais jovens que estiveram em Granada, Panamá, Afeganistão, Somália ou Iraque. As motocicletas Harley Davison - feitas nos Estados Unidos - dominam a multidão, mas também abundam as marcas japonesas e, entre os presentes com suas jaquetas de couro, há alguns que sem timidez montam uma BMW alemã. Os hotéis de preço razoável e os bares de comida barata nos subúrbios da capital americana fazem bons negócios nestes dias, enquanto os automobilistas locais lidam nas ruas com longas filas de motorizados com história bélica. A demonstração, cujo rugido de cilindradas se escuta a quilômetros do centro de Washington a cada último domingo de maio, leva o nome de "Rolling Thunder", que lembra a campanha de bombardeios dos EUA sobre o Vietnã do Norte entre março de 1965 e novembro de 1968. Os participantes se reúnem, antes do amanhecer, no gigantesco estacionamento do Pentágono e, quando o sol ilumina a colina do Cemitério Nacional de Arlington, ingressam na marcha de patriotas, com suas insígnias de combate, rumo ao Monumento do Vietnã. Os organizadores mantêm como missão central de sua demonstração anual a homenagem aos soldados dos EUA desaparecidos em missão, cuja morte não se confirmou e que, segundo muitos veteranos, podem seguir prisioneiros dos antigos inimigos. Durante mais de um quarto de século, o "Rolling Thunder" também viu aumentar a presença de mulheres. Se a geração do Vietnã teve mulheres apenas nas equipes médicas, as décadas seguintes as puseram em posições de combate que lhes valeram mais importância nessa manifestação. Desde a Segunda Guerra Mundial, mais de meio milhão de americanos morreram ou ficaram feridos em conflitos armados maiores e intervenções menores no mundo todo, e não houve desde meados do século 19 mais de uma geração de americanos que não tenha tido sua parcela de vítimas em campanhas militares. EFE jab/rsd













