Milhares de iemenitas vão às ruas em protesto contra rebeldes houthis
Movimento xiita provocou a renúncia do presidente e do primeiro-ministro na quinta-feira
Internacional|Do R7

Milhares de cidadãos do Iêmen saíram às ruas da capital Sana e de outras cidades neste sábado (24) para protestar contra o movimento rebelde xiita dos houthis, que provocou a renúncia do presidente e do governo do país há dois dias. Em Sana, milhares de pessoas se concentraram na praça Tahrir e entoaram palavras de ordem como "iemenitas, despertem" e "não à milícia houthi", segundo pôde constatar a Agência Efe.
Os manifestantes, que se dirigem à residência do presidente, Abdo Rabbo Mansour Hadi, queimaram fotografias do líder do movimento rebelde, Abdul Malik al Houthi. Vários partidários do grupo xiita invadiram a manifestação e repreenderam os presentes, alguns armados com cassetetes e punhais, segundo disseram à Agência Efe testemunhas.
Essas fontes acrescentaram que um dos manifestantes teve que ser levado a um hospital após ter sido apunhalado por um seguidor dos rebeldes. Além da capital, também foram registrados protestos contra os houthis nas cidades de Damar (centro), Eb e Taiz (sudoeste). Além disso, está previsto que outra manifestação similar ocorra mais tarde na cidade de Hodeidah (oeste), onde se encontra o segundo o maior porto do país, no Mar Vermelho.
Mansur Hadi e o primeiro-ministro, Khaled Rahah, apresentaram sua renúncia na quinta-feira (22), após se acharem incapazes de reconduzir a situação de crise à qual chegou o Iêmen devido à rebelião do movimento houthi. Está previsto que amanhã seja realizada uma reunião no parlamento, onde os deputados deverão decidir se aceitam ou não a renúncia do presidente.
Os houthis e o presidente tinham acordado na quarta-feira um cessar-fogo e alcançaram um pacto pelo qual ambas as partes cediam em suas condições, com o objetivo de pôr fim à crise. Segundo esse acordo, os rebeldes xiitas deviam ter abandonado o palácio presidencial que tinham ocupado e se comprometiam a se retirar dos arredores da residência do até agora chefe de Estado.
Por sua vez, as autoridades conseguiram modificar certos aspectos da Constituição e outorgar aos rebeldes 50% de participação nos postos de liderança do Estado. Mas nenhuma das partes cumpriu com o estipulado e ambas mantêm em expectativa um país que, além disso, se vê sacudido pelos ataques e os sequestros dos terroristas da Al Qaeda.
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