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Milos Zeman presidirá República Tcheca com agenda social

Internacional|Do R7

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Gustavo Monge. Praga, 26 jan (EFE).- O ex-primeiro-ministro social-democrata Milos Zeman foi eleito neste sábado novo presidente da República Tcheca com 55% dos votos nas primeiras eleições presidenciais diretas da história democrática do país centro-europeu. "Vocês mostraram sua cidadania ativa. Prometo que serei a voz de todos, ao ser eleito de forma direta", disse em seu primeiro discurso. Zeman afirmou que quer "ser presidente dos 10 milhões mais pobres (o país tem 10,8 milhões de habitantes), e não dos chefes das máfias que sugam o sangue desta sociedade". A vitória de Zeman frente ao outro candidato, o atual ministro das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, representa seu retorno à alta política e à conquista de um objetivo em que havia fracassado no ano 2003. Sua retórica contundente, com toques de populismo e nacionalismo, sobressaiu em uma campanha marcada pelo passado e pelas críticas de Schwarzenberg à expulsão, após a Segunda Guerra Mundial, de 3 milhões de tchecoslovacos de fala alemã. Zeman rejeitou taxativamente as críticas e argumentou que aquela "mudança", como se define oficialmente no país, não fez mais que seguir o parecer dos aliados sobre o reassentamento das minorias alemãs para evitar conflitos sociais no novo mapa da Europa. Nesse sentido, Schwarzenberg afirmou, após saber o resultado, que "as eleições foram decididas por uma mentira (a acusação chauvinista contra ele)", e que "contra certas difamações não se pode lutar". Espera-se que com Zeman como chefe do Estado melhorem as relações de Praga com a União Europeia, após a etapa de euroceticismo com veemência de seu antecessor, Vaclav Klaus. Zeman, de 68 anos, aposta em que a UE avance pela via federalista, afastada da construção de um superestado que retire competências dos países e seja governado de Bruxelas. O novo líder tcheco acentua a necessidade de aproveitar melhor os fundos estruturais da UE e revelou que seu principal objetivo é promover grandes projetos estatais de investimento para criar empregos sustentáveis. Zeman rejeita as políticas antissociais de corte de gastos públicos, a privatização parcial do sistema de previdência e o congelamento das rendas dos aposentados que a atual coalizão governamental de centro-direita promoveu. Por isso, sua vitória de hoje permite augurar uma tensa relação entre o Castelo de Praga, sede da presidência, e a Academia de Straka, sede do governo. Mas é provável que essa situação se mantenha inclusive se o Partido Social-Democrata (CSSD) tomar as rédeas do poder em 2014, já que Zeman, em presidente da legenda, acabou se desentendendo com ela e a deixou em 2007. A etapa de Zeman à frente do governo, de 1998 a 2002, é lembrada como uma época de grande crescimento e estabilidade, embora também de sério déficit democrático, devido a ter sido blindada por um "pacto de oposição" com os conservadores. Nela, o opositor Partido Democrático Cidadão (ODS), então liderado por Vaclav Klaus, se comprometeu a não invocar nenhuma moção de censura, com o que se desabilitou para exercer o controle parlamentar. Foi notória então a politização da vida econômica e dos órgãos de controle do Estado, já que membros do CSSD e afins passaram a integrar a cúpula de várias empresas públicas, de órgãos públicos e de serviços de inteligência. Zeman fará juramento como o terceiro presidente da República Tcheca em 8 de março, e fará sua primeira visita de Estado à Eslováquia, país com que formou uma república federativa até 1993. EFE gm/tr (foto)

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