Ministro do Interior venezuelano crê que opositor achado morto se enforcou
Internacional|Do R7
Caracas, 13 mar (EFE).- O ministro do Interior e Justiça venezuelano, Gustavo González, informou nesta sexta-feira que o opositor Rodolfo González, detido em abril de 2014 acusado da logística dos protestos antigovernamentais e encontrado morto de manhã em sua cela, se enforcou. "Seu corpo foi achado em sua cela do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) (...) apresentando sinais que nos fazem presumir, sem nos anteciparmos à investigação iniciada pelo Ministério Público (MP), que o cidadão Rodolfo Martínez se matou", indicou o ministro em um contato telefônico com a "VTV". O ministro disse que este "fato lamentável" não tem "qualquer relação" com as condições do lugar de reclusão que, assegurou, "sempre foram respeitosos com os direitos humanos". O titular de Interior manifestou sua solidariedade com os parentes do preso, fez um chamado à não politização desta morte e mostrou "disposição para colaborar com as atuações que efetua o MP". Rodolfo González, de 64 anos, capitão da aviação civil foi detido em 26 de abril após uma batida em sua casa em Caracas sob a acusação de "formação de quadrilha, posse de explosivos e tráfico de armas de fogo" em relação aos protestos antigovernamentais na Venezuela durante os primeiros meses de 2014. Pouco após sua detenção, o então ministro do Interior, Miguel Rodríguez Torres, apontou Rodolfo González, a quem identificou com o conhecido como de "o Aviador", como uma das pessoas encarregadas da logística dos protestos. Desde sua detenção, González permanecia preso na sede do Sebin, conhecido como El Helicoide, à espera de sua audiência de julgamento. Dirigentes políticos da oposição venezuelana qualificaram Rodolfo González como um "preso político". Desde o começo da manhã, sua filha Lissette González informou sobre a morte de seu pai, embora não tenha comentado as causas da mesma. A Mesa da Unidade Democrática (MUD) lamentou "profundamente" a morte de González na sede de reclusão do serviço de inteligência venezuelano, onde se encontrava, segundo a coalizão opositora, "recluso em condição de preso político". "Exigimos que sejam investigadas as circunstâncias nas quais aconteceu sua morte e sejam estabelecidas as responsabilidades", expressou a MUD através de um comunicado. O MP informou que designou um promotor para obter "os elementos necessários para a investigação (...) para determinar as causas da morte do sexagenário". A Venezuela viveu uma série de protestos contra o governo de Nicolás Maduro desde fevereiro de 2014, que se desenvolveram com grande intensidade durante cerca de quatro meses, nas quais ocorreram incidentes violentos e um saldo oficial de 43 mortos, centenas de feridos e milhares de detidos. A Promotoria assegurou que atualmente permanecem cerca de 40 pessoas detidas por delitos relacionados com a violência nesses protestos, das quais 12 são funcionários da polícia. EFE aa/ff












