Mobilização de jovens armados da tribo Nuer causa temor no Sudão do Sul
Internacional|Do R7
Cairo, 29 dez (EFE).- Cerca de 25 mil jovens armados da tribo sul-sudanesa Lou Nuer, a do ex-vice-presidente Riak Mashar, avançam rumo à cidade de Bor, capital do estado de Jonglei, alertaram neste domingo as autoridades e a missão da ONU no país, UNMISS. O ministro de Informação do Sudão do Sul, Michael Makuei, acusou Mashar de mobilizar em nome de sua tribo a milícia, conhecida como "Exército Branco" pois seus membros cobrem seus corpos com cinza para se proteger dos mosquitos. Em declarações divulgadas pela rádio "Miraya", da UNMISS, Makuei disse que o ex-vice-presidente está rejeitando deste modo os pedidos de vários países africanos para que hostilidades terminem, o que, por outro lado, foi prometido pelo governo de Juba. Bor foi tomada pelos rebeldes partidários de Mashar durante a tentativa de golpe de Estado, mas recuperada pelo exército na terça-feira passada. A UNMISS expressou em comunicado sua preocupação com esta mobilização e pela possibilidade de ataques aos civis, por isso pediu que os membros da tribo retornem para casa. O envolvimento destes jovens no conflito pode acrescentar "um imprevisível ingrediente à precária situação de segurança atual", alertou a missão da ONU em uma nota. Os jovens, majoritariamente da tribo Lou Nuer, poderiam ter a intenção de atacar civis de outras tribos, como a Dinka, a qual pertence o presidente do país, Salva Kiir. O conflito no Sudão do Sul, que começou como uma queda de braço pelo poder entre Kir e Mashar, provocou um aumento da violência étnica, principalmente entre as tribos Dinka e Lou Nuer. Bor foi cenário de violentos enfrentamentos entre ambas as tribos em 1991, que causaram mais de mil de mortos, principalmente civis Dinka. A mobilização ocorre dois dias depois do governo de Juba se comprometer, em reunião realizada em Nairóbi com os países africanos da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad), a interromper suas hostilidades contra os insurgentes de forma imediata, O organismo deu um prazo de quatro dias para que ocorra uma reunião entre Kir e Mashar com o objetivo de se buscar uma saída ao conflito, que já deixou milhares de mortos. EFE mv/dk













