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Morte de Boris Berezovky encerra uma era na Rússia

Internacional|Do R7

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Miguel Bas. Moscou, 23 mar (EFE).- A morte repentina do empresário russo Boris Berezovsky neste sábado em Londres encerra uma era na história da Rússia, caracterizada pelo crescimento de um empresariado muito vinculado com as novas autoridades do país, surgidas após o desaparecimento da URSS. "Berezovsky foi o símbolo da época, que por sua vez pode ser escrita conforme o destino do empresário", disse neste sábado o analista Stanislav Belkovsky à emissora "Eco" de Moscou. O empresário morreu hoje na cidade britânica de Ascot, nos arredores de Londres, e chegou a ser um dos personagens de maior sucesso da Rússia pós-soviética, foi o todo-poderoso durante o segundo mandato do presidente Boris Yeltsin (1996-1999) até o momento em que descobriu e apadrinhou Vladimir Putin. Algum tempo depois, passou a representar a encarnação do demônio na Rússia do mesmo Putin. "Berezovsky foi uma peça-chave dos anos 1990, uma época histórica, aventureira, audaz, grandiosa e vil", escreveu o jornalista Alexander Arkhangelsky. O magnata, um matemático de 68 anos, participou de negócios obscuros durante os anos 1990 e foi acumulando sua fortuna, primeiro com a empresa Logovaz em uma gigantesca fraude relacionada com a fábrica que produzia os carros Lada. Depois, com as grandes privatizações, quando fundou a grande petrolífera Sibneft e também administrou a companhia aérea Aeroflot. Mas também foi criador da Kommersant, o grupo midiático privado mais próspero da Rússia. De fato, a maioria dos meios de comunicação existentes na Rússia passaram em algum momento pelas mãos de Berezovsky, que chegou até mesmo a dirigir, como principal acionista, o primeiro canal da televisão russa. O controle da mídia o transformou em um personagem crucial, talvez decisivo, da segunda campanha eleitoral de Yeltsin em 1996. Também liderou o Conselho de Segurança da Rússia durante a crise da Chechênia. Alguns agradecem a sua gestão durante aquela guerra, sobretudo, no resgate de jornalistas sequestrados. Outros o acusam de ter montado um negócio precisamente com aqueles resgates. Ninguém dúvida de seus estreitos contatos com os líderes da guerrilha islâmica chechena. Há também aqueles que o acusam de ter manipulado a informação a favor dos independentistas sobre a guerra da Chechênia, o que também contribuiu para engordar sua fortuna bilionária. Berezovsky também foi deputado no Parlamento russo e secretário da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), uma organização supranacional envolvendo 11 repúblicas que pertenciam à antiga União Soviética (Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão). No início de 2000, após vários conflitos com Putin, se mudou para Londres, onde recebeu asilo político. Enquanto isso na Rússia, diversas ações judiciais foram apresentadas contra ele. Mesmo em Londres, Berezovsky não deixou de atormentar Putin, porém, seus ataques tiveram o efeito contrário na Rússia. Por exemplo, nos casos das mortes do deputado Sergei Yuschenkov, e de Aleksander Litvinenko, um ex-membro do serviço secreto russo que foi vítima de envenenamento com polônio. Berezovski denunciava que os "assassinos da KGB" eram os responsáveis. Mas em Moscou, após cada morte, surgia uma pista envolvendo o foragido magnata. Também se atribuiu a ele a principal fonte de financiamento da chamada "Revolução Laranja" na Ucrânia. Além disso, foi acusado de lavagem de dinheiro na Holanda e no Brasil, onde é apontado como um dos cabeças da parceria entre a MSI e o Corinthians. Sua morte também não foi isenta das polêmicas que sempre o acompanharam. São denúncias de assassinato e suicídio, feitas por pessoas próximas. Também há a notícia surpreendente de uma suposta carta de desculpas enviada a Putin recentemente. Segundo o porta-voz oficial do Kremlin, Dmitri Peskov, Berezovsky pedia perdão pelos "erros cometidos" e para retornar à Rússia. Também surgiram na internet comentários que Berezovsky estava falido e que já não restava mais nada do que outrora foi a maior fortuna da Rússia. Mas a pergunta mais frequente na rede é: "Quem o Kremlin vai acusar agora como responsável por todos os males?". EFE mb/rpr

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