Morte de dois palestinos aumenta pressão sobre Israel e ANP
Internacional|Do R7
Javier Martín. Ramala (Cisjordânia), 20 jun (EFE).- O exército israelense matou nesta sexta-feira dois jovens palestinos durante a operação de busca dos três estudantes judeus desaparecidos há uma semana na Cisjordânia ocupada, ação que tanto palestinos como israelenses classificam como "punição coletiva". A operação começou há sete dias e a falta de resultados tangíveis, além da detenção de cerca de 300 pessoas - a maioria no ramo civil do movimento islamita Hamas - começa a ameaçar tanto o governo israelense como a Autoridade Nacional Palestina (ANP). A intensidade dos registros - mais de mil segundo o exército israelense - e a presença cada vez maior de tropas de elite israelenses na Cisjordânia desesperam a população, que acusa o presidente palestino, Mahmoud Abbas, de conivência com Israel. O número cada vez menor de alvos militares, unido à resistência do pacto entre Fatah e Hamas e a ausência de pistas, aumenta a pressão do setor radical da direita israelense sobre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de quem exige endurecer a punição. O ministro palestino de Relações Exteriores, Riad al-Maliki, disse hoje em Paris que Israel ultrapassou os limites e deve apresentar provas de suas acusações de que o Hamas está por trás do sequestro dos três jovens judeus. Em uma dessas ações morreu Mustafa Hosni Aslan, um jovem de 22 anos que protestava no campo de refugiados de Qalandia, ao leste de Ramala. Passada a meia-noite, unidades especiais israelenses cercaram várias casas e entraram nelas após ter destruir as portas com explosivos, segundo pôde observar a Efe. Grupos de jovens lançaram explosivos de fabricação caseira, coquetéis molotov e pedras contra os soldados israelenses, que responderam com fogo real. Fontes médicas indicaram, por sua vez, que Aslam levou um tiro de bala na cabeça e que morreu horas depois no hospital Hadassa de Jerusalém. Outros dois jovens foram igualmente feridos a bala, um no estômago e outro nas costas, e foram internados em um hospital de Ramala. O exército israelense argumenta que os soldados abriram fogo ao considerar que suas vidas corriam perigo. Em uma ação similar, morreu Mahmoud Jihad Dudin, um adolescente de 13 anos que resistia aos ataques na cidade de Al-Doura, ao sul da cidade palestina de Hebron, a mais povoada da Cisjordânia. Fontes médicas informaram à Agência Efe que Dudin foi atingido no peito quando participava de um protesto e morreu pouco depois de ser internado em um hospital. Uma situação parecida foi vivida no campo de refugiados de Deheisah, em Belém, onde quatro palestinos, entre eles uma criança, ficaram feridos quando cerca de 150 soldados entraram e começaram a revistar dezenas de casas. Segundo o governo israelense, essas ações fazem parte da busca de três estudantes rabínicos desaparecidos na quinta-feira passada quando pegavam carona perto da colônia de Gush Etzion, vizinha a Hebron, e que Israel considera sequestrados por ordem do Hamas. No dia seguinte, as forças de segurança israelenses iniciaram uma operação que foi ampliada a toda Cisjordânia e no qual foram detidas mais de 300 pessoas, em sua maioria membros do movimento islamita. O exército israelense admitiu que a operação evoluiu e que seu novo objetivo é destruir a infraestrutura civil do Hamas na Cisjordânia, uma missão que, caso se prolongue, poderia se voltar contra Israel, coincidem hoje em apontar analistas políticos israelenses. "As circunstâncias mudaram e consequências inesperadas podem influir no futuro da campanha", explicava o jornalista Amos Harel no jornal progressista "Ha'aretz". "Gaza, por exemplo, está muito tranquila, mas o fato de que Israel colocou em alerta seu escudo antimísseis no sul indica que o exército não está muito convencido que seguirá assim", argumentava. Os palestinos, por sua vez, associam o desaparecimento à atual política israelense de apoio às colônias - ilegais de acordo com o direito internacional - e com o que consideram "o abuso" da detenção administrativa, que não contempla o direito dos detidos a passar à disposição judicial. Mais de 100 presos nessa situação estão em greve de fome há mais de 50 dias, nove deles em estado crítico. EFE jm-mss/tr (foto)











