Movimento "antipolítica" de Grillo pesa nas eleições na Itália
Internacional|Do R7
O movimento "antissistema" do cômico Beppe Grillo balançou a classe política italiana depois do encerramento apoteótico de sua campanha para as eleições legislativas deste domingo e segunda-feira na Itália.
Com um explosivo discurso contra a corrupção, os cortes da União Européia, a privatização da educação, da água, da saúde e a favor da energia verde Grillo congregou milhares de jovens, aposentados e desempregados na enorme praça de São João de Latrão, sede tradicional de manifestações da esquerda.
O líder do Movimento Cinco Estrelas, que nasceu na web, não aceitou os duelos televisivos e percorreu durante um mês a península para falar com as pessoas em comícios organizados e financiados por voluntários, cansados de serem ignorados pela classe política.
Respeitando se estilo corrosivo e histriônico, às vezes meio vulgar, "o profeta Grillo" avançou sem parar e obteve um inesperado consenso, que, segundo as pesquisas, lhe vale entre 13% e 18% dos votos.
O humorista, que canaliza o descontentamento e a revolta dos prejudicados pela crise econômica, prometeu um salário mínimo de 1.000 euros, redução do número de parlamentares, assim como as horas de trabalho.
"A palavra agora aos italianos", a manchete deste sábado do jornal La Stampa, durante o chamado dia de reflexão, em que os principais políticos evitam se pronunciar.
Segundo as últimas pesquisas que foram publicadas, já que sua divulgação está proibida desde o dia 8, o líder da coalizão de centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, é o favorito com 34% das intenções de voto, seguido pela coalizão de direita liderada pelo magnata das comunicações, Silvio Berlusconi, com cerca de 30%.
A coalizão de centro, do atual chefe de Governo, Mario Monti, registra 10%-12%.
A possibilidade de que nenhuma força política consiga autonomamente no parlamento um número suficiente de cadeiras para governar gera incerteza dentro e fora da Itália.
A instabilidade da terceira economia da zona do euro preocupa os dirigentes de todo o velho continente porque poderá desatar uma nova crise da dívida.
Outra incógnita que pesa sobre as eleições é o tempo. É a primeira vez no período do pós-guerra que são realizadas eleições no inverno, por isso o mau tempo pode prejudicar a afluência às urnas.
Os mais idosos podem desistir de votar, o que, na opinião dos especialistas, afetará principalmente Silvio Berlusconi, cuja força eleitoral são de idosos aposentados, seduzidos diariamente através de seus canais privados.
Junto com as legislativas, os eleitores de três regiões italianas, a rica e grande Lombardia, a estratégica Latium, que abriga a capital, e a pequena Molise, também elegerão suas autoridades depois dos escândalos que arrastaram para a demissão seus dirigentes de direita.
No total, mais de 47 milhões de italianos estão convocados às urnas para as legislativas, 13 milhões dos quais também votarão nas regionais.
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