Movimento de resistência pacífica palestino cresce e se expande
Internacional|Do R7
Ana Cárdenes. Ramala, 24 fev (EFE).- O movimento de resistência pacífica palestino, com novas estratégias, está buscando cada vez mais ampliar-se e envolver a sociedade civil para ocupar a posição de única alternativa a uma Terceira Intifada. Sua última conquista: cinco acampamentos montados em terrenos palestinos ameaçados por colônias judaicas próximas ou por ataques israelenses para estabelecer novos assentamentos. Apesar de rapidamente desmantelados pelo Exército, e ter provocado a detenção de ativistas, Bab el Shams (Porto do Sol), Bab el Karama (Porta da Dignidade), Al Manatir, Canaan e Burín, alcançaram algo importante: devolver a muitos esperança pelos atos de resistência não violenta. O êxito é ainda maior se for levado em conta que dois dos acampamentos não foram organizados pelo Comitê de Coordenação de Resistência Popular, mas surgiram espontaneamente de iniciativas populares em comunidades, até agora alheias a este tipo de luta. "Levamos quase uma década defendendo a resistência popular e nosso objetivo para 2013 é estender o movimento. Queremos levar nosso modelo para as ruas, para todas as pessoas, não só aos povos pelos quais o muro (israelense) passam ou aos quais são expropriadas terras", explicou o coordenador do PSCC, Abdullah Abu Rahma, à Agência Efe. Desde 2003 nasceram 13 comitês de resistência em povoados ameaçados pela construção do muro de separação israelense. Desde a semana passada os moradores dessas regiões se manifestam, sem armas, mas por vezes, com pedras contra os soldados. O Exército atua com uma repressão forte, utilizando métodos antidistúrbios, que em algumas ocasiões são empregados de forma letal. Nos últimos meses, quando eram mantidos protestos semanais, novas ações foram lançadas, surpreendentes, nas quais cada vez mais voluntários participaram, ampliando as atividades de formação em direitos humanos e ativismo não violento. Em outubro, dezenas de ativistas cercaram um supermercado israelense, localizado em uma colônia, para promover o boicote aos produtos dos assentamentos, sobretudo entre os palestinos que compravam no local. Semanas mais tarde interromperam por 40 minutos a estrada que liga Tel Aviv a Jerusalém, cortando um território ocupado, mas que, em boa parte, há impedimento à circulação de palestinos. Pouco depois, interromperam estradas na Cisjordânia, reservadas para uso exclusivo de colonos. "Eles se deram conta que não bastavam as manifestações e que deviam fazer coisas novas para crescer e atrair apoio da mídia", explicou à Efe, um voluntário de uma ONG europeia, que financia o movimento. Abu Rahma ainda afirmou que "cada vez há mais voluntários querem se unir a nós", anunciando novos acampamentos contra a ocupação israelense. "Não é fácil. Pagamos um preço muito alto. Desde 2004 houve 35 mártires (mortos), mais de 10 mil feridos e mil detidos. Há toques de recolher constantes, retiradas de permissões de trabalho, batidas noturnas e destruição de nossas propriedades", disse um professor de 43 anos, pai de três filhos, que pediu para ficar no anonimato. Os protestos pacíficos fizeram com que Israel mudasse o percurso do muro em Bilín e Budrus, onde foram recuperadas terras para cultivo. Abu Rahma considera, no entanto, que o "maior êxito é ter mudado a forma como o mundo vê a luta palestina. Entre 2000 e 2002 (com a Segunda Intifada) Israel conseguiu difundir a ideia de que os palestinos somos terroristas. Agora mudamos essa imagem e o mundo vê que os violentos são os israelenses". O líder está convencido que, se movimento não triunfar, os palestinos recorrerão à resistência militar. O porta-voz do PSCC, Abir Kopti, explica que não condena as pessoas que jogam pedras nos soldados. "É o mínimo que temos contra um soldado armado até os dentes, ocupando nossa terra. É muito mais algo simbólico do que efetivo". Abu Rahma ainda lembra que as pedras "foram a principal arma da na Primeira Intifada", em 1987, além de fazer parte da cultura palestina. Embora ainda boa parte dos palestinos considere inútil apostar em formas de resistência não violentas, o movimento cresce pouco a pouco nas ruas e universidades, com ajuda de financiamento europeu e da Autoridade Nacional Palestina (ANP). EFE aca/bg/rsd (foto)











