MSF: Milhares estão refugiados na R. Centro-Africana por onda de violência
Internacional|Do R7
Nairóbi, 16 out (EFE).- Milhares de pessoas estão refugiadas por consequência de uma nova onda de violência no noroeste da República Centro-Africana (RC), informou nesta quarta-feira, através de um comunicado, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo a organização, há mais de 30 mil refugiados na cidade de Bossangoa e em seus arredores que sobrevivem sem abrigo, água potável e alimentos. "As pessoas dormem onde podem, na igreja, escola ou embaixo de árvores. Está crítico e as pessoas cozinham, comem, dormem, se lavam e defecam no mesmo lugar. Nessas desastrosas circunstâncias higiênicas, o risco do surto de doenças é alto", afirmou Ellen Van der Velden, chefe de missão da MSF no país africano. Para a MSF, os enfrentamentos entre os grupos armados na região e as forças governamentais (antigos rebeldes que tomaram o poder em um golpe de Estado em março deste ano) estão causando muitas vítimas civis. "No último mês, tratamos mais de 60 pessoas em Bossangoa por ferimentos decorrentes da violência, a maioria por disparos de armas de fogo e ferimentos de facão, inclusive mulheres e crianças", assegurou a cirurgiã da MSF Erna Rijinierse. "Desde outubro, foram divulgados episódios de violência e enfrentamentos mortais em Bouca e Graga, no noroeste da República Centro-Africana, e em Mbaiki, no sudoeste. Civis, pessoal de saúde e trabalhadores humanitários foram alvo de agressões físicas", acrescentou o texto. No dia 24 de março, a coalizão rebelde Séléka derrubou com um golpe de Estado o até então presidente, François Bozizé, que também assumiu o poder através de um levante em março de 2003. A precária situação de segurança no país se deteriorou a partir do mês de dezembro do ano passado, quando a coalizão Séléka, composta por quatro grupos rebeldes, recorreu à luta armada no norte, ao considerar que Bozizé não tinha respeitado os acordos de paz assinados em 2007. Os tratados contemplavam, entre outros assuntos, a integração de combatentes rebeldes no Exército do país, a libertação de uma série de presos políticos e o pagamento aos milicianos sublevados que optassem pelo desarmamento. EFE jt/rpr













