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Mulheres rebeldes da máfia, uma escolha de vida ou morte

Internacional|Do R7

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Roma, 30 mai (EFE).- Elas vivem na sombra da máfia italiana, transformadas, às vezes sem escolhas, em cúmplices do crime organizado; são companheiras sentimentais, filhas e mães de mafiosos que, cansadas de conviver com a criminalidade, decidiram colaborar com a Justiça mesmo que isso custe sua vida. Para Lea Garofalo, a "rebeldia" lhe custou a vida em novembro de 2009, data na qual foi sequestrada, torturada e assassinada por seu ex-marido, Carlo Cosco, um chefe da máfia calabresa, a Ndrangheta, que não perdoou o fato da mãe de sua filha ter lhe entregado à Justiça. "A bastarda se deu conta". Esta foi a sentença de morte ditada por Cosco para sua ex-mulher, que, no dia de seu sequestro, estava passando uns dias em Milão junto com a filha para que esta pudesse ver o pai. O julgamento por sua morte, que foi reaberto há algumas semanas pelo juiz, deixa entrever a situação que dezenas de mulheres da máfia vivem na Itália, onde este tipo de organização criminosa, com suas diferentes matizes dependendo da região, segue minando os fundamentos sociais e econômicos do país. "A Ndrangheta não admite traições. Trair aqui é muito mais difícil, especialmente pela particular estrutura desta organização, baseada nos vínculos de sangue", explicou à Agência Efe o prefeito de Reggio Calabria, Nicola Gratteri. Para Lea Garofalo a violação da lei do silêncio lhe custou a vida. Outras muitas mulheres, por outro lado, têm melhor sorte e permanecem escondidas com uma nova identidade sob a ameaça latente dos que um dia foram sua "família". É o caso de Carmella Iuculano, que após denunciar seu marido "em um ato de amor por seus filhos", como ela mesmo declarou, se viu obrigada a fugir de sua Sicília natal para dar aos filhos um futuro melhor, afastada da máfia. "As mulheres da máfia são vítimas e cúmplices. Muitas aceitam por comodidade e prestígio as vantagens garantidas por suas respectivas situações familiares, outras não a toleram. Não é fácil se separar do condicionamento mafioso, sobretudo quando há filhos. Os filhos se transformam em chantagem", comentou o prefeito. A primeira na Itália a romper a barreira do silêncio mafioso foi Serafina Battaglia, mulher de um membro da máfia siciliana "Cosa Nostra", que em 1962 decidiu revelar os segredos da organização criminosa para vingar a morte de seu filho Salvatore. "São poucas as mulheres que decidem romper a lei do silêncio. As que fazem frequentemente vivem em condições difíceis e foram obrigadas a casar com homens que não amam, e que muitas vezes, acabam na prisão", revelou Graterri. Na história das mulheres traidoras ou rebeldes da máfia também figura o nome de Giusy Vitale, mais conhecida como "Lady Máfia", uma "mamma" da "Cosa Nostra" que conseguiu entrar no topo da organização, um topo que, no entanto, a levou para a prisão. Ali, pelo medo de não poder mais ver mais seus filhos, decidiu romper a "omerta", o histórico código de silêncio da máfia e se transformar na primeira chefe "pentita" (arrependida) a colaborar com a Justiça. No entanto, no universo feminino da máfia também existem claros exemplos de rigor e fidelidade total com os postulados da organização criminosa como o de Giuseppa Mandarano, mulher de Marco Favaloro, acusado e "pentito" pelo homicídio de Libero Grassi, que declarou que o marido era um "infame" e que não queria mais vê-lo. O código da máfia, o conceito de traição nem sempre está relacionado com a quebra da lei do silêncio, mas também com a infidelidade e o adultério. A 'Ndrangheta', concretamente, marca em sua lei que a mulher deve sempre ser fiel ao marido, inclusive além de sua morte. Caso contrário, serão castigadas com a morte. EFE ass/ff/rsd

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