Mursi desafia exército e lança ideia de governo de união nacional
Internacional|Do R7
Cairo, 2 jul (EFE).- Em discurso à nação nesta terça-feira, o presidente egípcio, Mohammed Mursi, desafiou o exército e anunciou a iniciativa para a formação de um governo de união nacional e de um comitê para emendar a Constituição do país. Dentro dessa iniciativa, será abordada com as forças políticas a realização de eleições legislativas em um prazo de seis meses. No discurso, Mursi destacou que "não há alternativa à legitimidade" e pediu aos egípcios que não sejam violentos com o Exército, depois que as Forças Armadas concederam ontem um prazo de 48 horas ao presidente para "atender as reivindicações do povo". Para o presidente islamita, o país enfrenta o "desafio dos seguidores do antigo regime" de Hosni Mubarak, que "querem manipular a ira dos jovens, que têm o direito de estar zangados". Mursi insistiu em repetidas ocasiões ao longo de seu pronunciamento que a legitimidade constitucional está com ele, e que, por isso, não pensa em renunciar a seu cargo. O presidente destacou que o povo egípcio o elegeu em eleições limpas e democráticas, e que, embora "não tivesse anseio pelo poder", está comprometido com sua missão. Apesar disso, pediu aos egípcios que não derramassem o sangue de seus compatriotas e lembrou que só poderia declarar a jihad (guerra santa islâmica) contra os "inimigos do país". Em mensagem divulgada pouco antes do discurso através de sua conta no Twitter, Mursi solicitou às Forças Armadas que retirem sua advertência e rejeitou "qualquer interferência interna ou externa", enquanto partidários e opositores do islamita se manifestam e se enfrentam em diversos pontos do país. Centenas de milhares de manifestantes encheram totalmente a praça Tahrir para forçar a saída do presidente e a realização de eleições antecipadas. "As massas que se manifestam contra Mursi já tiraram sua legitimidade. Precisamos de novos pleitos", disse à Agência Efe o manifestante Mahmoud Abdulal, rodeado de pessoas que ondeavam bandeiras do Egito. O xeque Mohammed Nasser, membro de uma organização religiosa que defende o Estado civil, assegurou à Efe que Mursi deve renunciar para evitar que exploda uma guerra civil e defendeu a ideia que as Forças Armadas protejam a revolução, mas não governem. Frente à demonstração de força dos opositores, um grande número de manifestantes islamitas se concentrou em frente a uma mesquita do bairro de Cidade Nasser, ao noroeste do Cairo, para apoiar a legitimidade do presidente. Os participantes gritaram palavras de apoio a Mursi, enquanto muitos levavam nas mãos bastões e exemplares do Corão. Para o membro na União Mundial dos Ulemás Muçulmanos, Khaled Jalif, a solução da crise atual passa por recorrer às urnas e respeitar os resultados, ou "descermos todos às praças e que vençam os mais numerosos". Outro participante, Ahmed Munir, lamentou a entrada na cena política das Forças Armadas para supostamente dar asas aos que querem a renúncia de um presidente eleito democraticamente. Embora as manifestações tenham sido pacíficas em sua maioria, seguidores e opositores de Mursi se enfrentaram em alguns casos, o que deixou pelo menos quatro mortos e 144 feridos no país, segundo números do Ministério da Saúde. Enquanto isso, o Executivo de Mursi se esforça para lidar com a renúncia de seis ministros, dos porta-vozes presidenciais Omar Amre e Ihab Fahmi, e do porta-voz do Conselho de Ministros, Alaa al Hadidi. O governo confirmou que apresentaram sua renúncia os titulares de Relações Exteriores, Mohammed Amre; de Turismo, Hisham Zaazu; de Telecomunicações, Atef Helmi; de Assuntos Parlamentares, Hatem Bagato; do Meio Ambiente, Khaled Fahmi; e de Assuntos do Esporte, Al Amiri Farouk. A progressiva falta de apoios de Mursi ficou patente também com o pedido do principal partido salafista do Egito, Al Nour, para que sejam realizadas eleições presidenciais antecipadas, como reivindicam os opositores. Enquanto isso, entre estes últimos, a Frente do 30 de Junho, que aglutina vários grupos, anunciou que elegeu o prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, como representante encarregado de preparar uma transição política. Em seu ultimato de ontem, o exército egípcio pediu às forças políticas que "assumam sua responsabilidade e atendam as reivindicações do povo" em um prazo de 48 horas, que expira amanhã. EFE er/rsd












