Napolitano, o verdadeiro "auctoritas" da Itália
Internacional|Do R7
Gonzalo Sánchez Roma, 18 abr (EFE).- Giorgio Napolitano, que neste sábado foi eleito Presidente da República da Itália para um segundo mandato consecutivo de sete anos, a dois meses de completar 87 anos, emergiu como o verdadeiro "auctoritas" da Itália após vários partidos pedirem que tomasse as rédeas do país perante o caos institucional que a Itália enfrenta. Após sete anos de mandato, Napolitano deixaria seu cargo em 15 de maio, mas terá que renovar forças perante o panorama político desolador da Itália. Com seu aspecto relaxado e com um brilho de inteligência que a velhice confere somente para alguns homens, Giorgio Napolitano defendeu desde 15 de maio de 2006, quando foi eleito presidente na quarta votação, a imagem da Itália em múltiplas ocasiões, como o papel de homem forte do Estado. Fez isso quando a coalizão do Governo de Romano Prodi caiu em 2008, após meses de moções de censura. Do mesmo modo, exerceu um contrapeso com o sempre polêmico e midiático Governo de Berlusconi ou quando dirigiu a Itália pela via tecnocrata colocando no poder o professor Mario Monti. Napolitano segue cumprindo suas obrigações, em um momento no qual a situação política italiana se encontra em uma encruzilhada porque os partidos não conseguem sequer formar um Governo. E fez isso tomando algumas medidas que vão além dos poderes que a velha Constituição de pós-guerra lhe confere. Por causa da dificuldade de formar Governo após as eleições de fevereiro, realizou dois turnos de consultas com os diferentes partidos para tentar conseguir uma coalizão forte e, perante a falta de consenso, criou uma mesa formada por dez "sábios", que elaboraram as linhas mestras das quais um novo Governo deve seguir imediatamente . Trata-se de um homem que dedicou sua vida à política italiana, porque Napolitano, de sobrenome e de nascimento, também foi um desses garotos de Nápoles que lutaram contra o sistema fascista de Benito Mussolini. Daí, passou a fazer parte de um grupo universitário que tratava de sabotar o regime fascista com ações subversivas como quando se infiltraram na revista fascista "9 Maggio" e publicaram textos de Karl Marx. Com a queda do fascismo, nessa sociedade de pós-guerra e cidades devastadas pelas bombas, Napolitano filiou-se ao Partido Comunista da Itália (PCI). Como membro do PCI, Napolitano se destacou por sua moderação, o que lhe impediu, em 1968, a alcançar o posto de secretário-geral, que recaiu sobre seu colega Enrico Berlinguer. Um comunista "frouxo", segundo seus correligionários, que não duvidavam em dar um apelido com o qual designavam os comunistas mais descafeinados, menos radicais. Apesar de ser certo que seu comedimento lhe impediu de escalar as fileiras do PCI, também é o que valeu para entabular relações de amizade com outros partidos com os quais mais adiante ocuparia cargos como o de eurodeputado ou Ministro do Interior, entre outros. Esteve presente no Congresso de Rimini de 1991, onde o PCI se desintegrou em dois blocos: o Partido da Refundação e o Partido Democrático, do qual Napolitano tomou partido. Em 10 de maio de 2006, após uma vida política caracterizada por vai e vem, o Parlamento lhe outorga a Presidência da Itália. "Quando o televisor de seu escritório do Palácio Justiniano, sede dos senadores vitalícios, emitiu a notícia da escolha de Napolitano, ele deteve a alegria de seus acompanhantes e pediu calma, enquanto seu telefone se enchia de mensagens de parabéns", lembra a jornalista Incita de Gregorio. Discreto, é conhecido por ter sido a outra cara da política de Berlusconi, caracterizado pelos contínuos escândalos. Menos conhecida é sua sensibilidade poética que o levou a estabelecer uma forte amizade com o prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda, quando este se encontrava refugiado na Sicília por causa da "Lei Maldita" que condenou ao exílio o Partido Comunista chileno. Retoma a Presidência agora com 87 anos e sacrifica o desfrute da velhice, e não conseguirá se afastar dos carros oficiais e dos telefones celulares que tanto sua mulher Clio Bettoni odeia. Eles estão casados por mais de 50 anos e têm dois filhos.EFE gsm/ff











