‘Nem mesmo o regime sabe exatamente onde estão essas minas’ em Ormuz, diz professor
Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anuncia criação de novo órgão para administrar canal
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou a criação de um novo órgão para administrar o estreito de Ormuz. A autoridade do estreito do golfo Pérsico afirma que vai oferecer “informações em tempo real sobre as operações” na passagem marítima.
As funções do novo organismo ainda não estão claras, mas, segundo fontes, o órgão vai ser responsável por “aprovar o trânsito de navios e arrecadar taxas de direito de passagem no estreito de Ormuz”. No início de maio, uma emissora iraniana afirmou que o novo órgão representava um “sistema para exercer a soberania” do Irã sobre o canal.

Teerã bloqueou quase totalmente o tráfego marítimo na rota desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel. Desde o começo do conflito, o país persa afirmou diversas vezes que o tráfego pelo estreito “não voltará à situação anterior à guerra”.
Para Paulo Velasco, professor de política internacional, a navegação em Ormuz realmente não retornará ao que era antes do conflito, devido à instalação das minas por toda a passagem. “Boa parte dessas minas, inclusive, foi colocada sem a devida marcação. Então, nem mesmo o regime sabe exatamente onde estão essas minas, o que torna a navegação ali, especialmente próxima à costa de Omã, uma navegação muito perigosa”, diz em entrevista ao Conexão Record News desta segunda-feira (18).
Segundo Velasco, o Irã busca, por meio da postura tomada, fazer uma demonstração de força de que o estreito é controlado soberanamente por eles e que as embarcações terão que pagar um tipo de autorização para navegar pela região.
“A criação de um órgão específico para fazer o controle da autorização de passagem para as embarcações e, eventualmente, fazer a cobrança do pedágio, do direito de passagem, vai ao encontro dessa retórica mais soberanista do Irã, que vem colocando isso como uma exigência nas negociações de paz com os Estados Unidos, intermediadas pelo Paquistão”, explica.
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