Netanyahu ameaça excluir Lapid do governo e incluir ultra-ortodoxos
Internacional|Do R7
Jerusalém, 13 mar (EFE).- O primeiro-ministro interino de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçou nesta quarta-feira excluir o partido de centro Yesh Atid, do ex-jornalista Yair Lapid, do próximo Executivo e incluir em seu lugar os ultra-ortodoxos, a três dias para terminar o prazo para a formação de um governo. "Se não houver avanço significativo com Lapid nas próximas horas e ele não voltar atrás em suas exigências exageradas, o primeiro-ministro começará a iniciar conversas com os partidos haredim (ultra-ortodoxo)", afirmou por meio de um comunicado divulgado no jornal local "Haaretz" o partido de Netanyahu, Likud. Netanyahu, que conquistou 31 cadeiras com a coalizão Likud-Beiteinu, foi obrigado a pactuar com o Yesh Atid, uma nova formação liderada por Lapid que atraiu boa parte dos votos dos descontentes com a situação econômica e social em Israel. Lapid defende a inclusão dos ultra-ortodoxos religiosos na força de trabalho e no Exército. Um acordo entre o Yesh Atid e o Habait Hayehudi, partido que representa os colonos e a extrema-direita, colocou Netanyahu contra as cordas, e por isso o primeiro-ministro precisa conversar com ambos para conseguir uma maioria parlamentar. Lapid e o líder do Habait Hayehudi, Naftali Benet, combinaram que ou os dois partidos participam do governo ou nenhum deles fará parte do Executivo. Fontes do Likud disseram ao jornal que é muito cedo "para qualificar as conversas como um fracasso, mas não há dúvidas de que a equipe negociadora de Lapid está errando". Entre os assuntos mais controvertidos estão o Ministério da Habitação e a chefia do Comitê de Finanças na Knesset (Parlamento), ambos reivindicados pelo Yesh Atid e pelo Likud-Beiteinu. O Habait Hayehudi exige o Comitê de Finanças e deseja ter um representante na equipe que negociará a paz com os palestinos se o diálogo for reiniciado. No entanto, a ameaça de abandonar o Yesh Atid e o Habait Hayehudi e voltar a negociar com os ultra-ortodoxos, Shas e Judaísmo Unido da Torá, que Lapid exigiu que ficassem de fora, não garante uma coalizão viável. Sem o Lapid e o Benet, Netanyahu não alcançaria o apoio dos pelo menos 61 deputados que necessita, a não ser que consiga o respaldo do partido trabalhista, que reiterou sua negativa por seu distanciamento das posturas econômicas do Likud-Beiteinu. Junto com os ultra-ortodoxos (18 cadeiras), Hatnuah (6) e Kadima (2), o Likud-Beiteinu (31) somaria apenas 57 deputados. A aliança entre Lapid e Benet, com 19 e 12 cadeiras, respectivamente, e suas exigências na negociação obrigaram Netanyahu a pedir há uma semana o único adiamento que permite a lei para a formação de um governo. Se não conseguir fechar um acordo antes deste sábado, o presidente israelense, Shimon Peres, deverá encarregar outro líder político para compor um Executivo. EFE aca/dk











