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Netanyahu negociou fim do conflito em segredo com palestinos, diz jornal

Internacional|Do R7

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Jerusalém, 6 mar (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizou negociações secretas com palestinos através de um representante de sua confiança durante o mandato anterior com o objetivo de dar fim ao longo conflito entre as partes, informou o jornal israelense "Yedioth Ahronoth". De acordo com um documento acessado pelo veículo, Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, discutiram entre 2009 e 2013, através de interlocutores, questões referentes à troca de terras sobre as fronteiras de 1967, o status final de Jerusalém e o direito de retorno dos refugiados palestinos. Hussein Agha, considerado um dos principais confidentes de Abbas e membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), foi identificado como o representante palestino. O lado israelense foi representado pelo advogado Isaac Molcho, que fez parte da equipe negociadora no último e fracassado processo de paz promovido pelo secretário de Estado americano, John Kerry. O documento, intitulado "Minuta para o Estabelecimento de Propostas para uma Disposição Permanente", foi publicado no caderno de fim de semana do "Yedioth" e evidencia divergências com a dura postura pública mostrada pelo primeiro-ministro israelense em relação às negociações. Segundo o relatório, Netanyahu iria propor "uma retirada total das forças israelenses do território palestino aplicada de maneira progressiva" e respeitando as fronteiras anteriores à ocupação dos territórios palestinos na Guerra dos Seis Dias de 1967, condição indiscutível para os palestinos. "As partes concordaram que a Palestina seja um Estado independente, soberano e viável cujo tamanho será estabelecido em relação às áreas que estavam sob controle da Jordânia e do Egito antes de 4 de junho de 1967. O acordo estabelece que a formação da Palestina atenderá a todas as reivindicações, incluindo a questão dos assentamentos", diz o documento. Segundo o texto, alguns dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada seriam desmantelados e outros poderiam permanecer. Os israelenses que decidissem viver no Estado ficariam "sob a jurisdição palestina". Sobre Jerusalém, que Israel proclamou em 1980 como "capital eterna e indivisível" e cuja parte oriental (ocupada em 1967) é reivindicada pelos palestinos como capital de seu Estado, não se contempla uma resolução final, mas é deixado "um reconhecimento implícito" à reivindicação palestina, analisou o jornal. "Qualquer solução deve abordar os laços históricos, sociais, culturais e efetivos de ambos os povos com a cidade e oferecer proteção a seus lugares sagrados", relatam as informações. Em virtude deste documento, os palestinos receberiam um ponto de apoio permanente no Vale do Jordão, tema de atrito durante o último processo de negociação pela reticência de Israel a ceder parte de seu controle. Além disso, os refugiados palestinos poderiam ter seu direito de retorno cumprido "sobre uma base pessoal, em contraposição à nacional". O jornal ressalta que o gabinete de Netanyahu reagiu à informação garantindo que "em nenhum momento" o primeiro-ministro "se compromete a retirar as fronteiras de 1967, dividir Jerusalém ou reconhecer o direito de retorno palestino". O documento foi classificado como uma proposta americana que "fracassou em concluir um acordo" e nunca foi aceita por Israel. EFE mss/vnm/id

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