"New York Times" questiona eficácia das sanções à Venezuela
Internacional|Do R7
Nova York, 12 mar (EFE).- Um editorial do jornal "New York Times" questionou nesta quinta-feira a eficácia das últimas sanções aplicadas pela Casa Branca contra a Venezuela, apontando que as medidas podem inclusive reforçar o presidente Nicolás Maduro. O editorial, um dos três de hoje, diz que, ao anunciar essas sanções, o governo de Barack Obama "fez uma aposta", ao tentar punir o país pela perseguição política da oposição e pelos limites à liberdade de imprensa. Na segunda-feira, a Casa Branca impôs sanções a sete funcionários do governo venezuelano, que incluem a proibição aos americanos de terem relações com eles e permite o confisco dos bens que deles podem ter neste país. Também declarou que a situação na Venezuela constitui "uma ameaça incomum e extraordinária" para a segurança e a política externa dos Estados Unidos. Entre os sancionados estão Gustavo Enrique González López, diretor-geral do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), e o ex-diretor de Operações da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) Antonio José Benavides Torres. Em seu editorial, o Times disse que estas medidas podem chegar a ser contraproducentes se Maduro usá-las para reforçar sua "falsa opinião" que os Estados Unidos estão tentando derrubá-lo. E lembrou que os anúncios foram feitos depois de a Venezuela exigir que os EUA reduzissem de cem para 17 o tamanho da equipe na embaixada da Venezuela. "Por enquanto, o enfrentamento permite proporcionar ao senhor Maduro cobertura política e desculpas no meio de uma crise econômica que em grande medida é sua culpa". Também diz que, embora as sanções possam chegar a prejudicar alguns altos funcionários venezuelanos, "parece improvável que possam frear os abusos do governo e poderia inclusive encorajar mais o senhor Maduro". "Um enfoque mais produtivo teria sido aumentar os esforços para persuadir os líderes latino-americanos para que defendam os princípios democráticos na Venezuela e isolar ainda mais um líder que se está transformando em um pária na região". Além disso, se a dinâmica atual levar a uma ruptura total dos laços entre os dois países, isso prejudicaria mais os cidadãos da Venezuela que estão lutando para lidar com uma "economia em colapso", já que o país exporta petróleo para os EUA, que ano passado foi de US$ 26 bilhões. EFE ag/cd











