No primeiro dia da trégua, atentado em Damasco deixa mortos e feridos
Acordo entre governo e rebeldes tinha definido quatro dias de trégua
Internacional|Do R7, com agências internacionais
Um carro-bomba explodiu em Damasco, capital da Síria, nesta sexta-feira (26), primeiro de quatro dias de trégua acordada entre o Exército Sírio e as forças rebeldes.
De acordo com a rede de TV estatal síria, cinco pessoas morreram na explosão e outras 32 ficaram feridas.
Segundo a agência de notícias Reuters, o atentado ocorreu no sul da capital síria, em uma área predominantemente sunita. Grande parte dos rebeldes que protestam e lutam há 17 meses contra o presidente Bashar al Assad são da vertente sunita da religião islâmica. Já Assad é da minoria alauíta, mais próxima ao xiismo, a outra grande vertente muçulmana.
O atentado ocorreu perto de um playground infantil, de acordo com relatos de ativistas.
A trégua de quatro dias foi obtida por Lakhdar Brahimi, o representante especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria. Apesar de aceitarem o cessar-fogo parcial, cada parte se reservou o direito de responder no caso de serem atacados.
O acordo começaria hoje, dia do feriado muçulmano do Eid al Adha.
Trégua mínima
A trégua declarada na Síria por ocasião de um feriado islâmico não durou praticamente nada, de acordo com fontes de oposição, segundo as quais houve também combates em um subúrbio de Damasco e ao redor de um quartel no norte do país.
Segundo ativistas, três pessoas foram mortas por disparos de um tanque na cidade de Harasta, próxima à capital.
O Exército sírio havia prometido suspender os ataques na manhã de sexta-feira, atendendo ao pedido do mediador internacional Lakhdar Brahimi. Grupos rebeldes haviam manifestado a intenção de aderir ao cessar-fogo se os militares tomassem essa iniciativa, que deveria durar até segunda-feira, quando termina a festividade do Eid al-Adha.
Mas violações de ambos os lados mostraram que dificilmente haverá trégua no confronto que começou há 19 meses e, segundo algumas estimativas, já matou 32 mil pessoas.
Rebeldes em uma cidade do norte da Síria disseram que um franco-atirador matou um dos seus combatentes no começo da sexta-feira. Um repórter da Reuters no local ouviu quatro disparos de tanques.
"Não acreditamos que o cessar-fogo irá funcionar", disse o comandante rebelde Basel Eissa.
— Não há Eid para nós rebeldes na linha de frente. O único Eid que podemos celebrar será a libertação.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede na Grã-Bretanha, disse ter recebido relatos de que os rebeldes estariam tentando invadir o quartel de Wadi al Daif, que fica a menos de um quilômetro da rodovia que liga as duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco. Em resposta, os soldados teriam feito disparos de artilharia contra uma aldeia próxima.
O presidente Bashar al Assad, que diz lutar contra militantes islâmicos patrocinados por inimigos externos da Síria, apareceu na TV estatal participando as preces iniciais do Eid numa mesquita de Damasco.
Agências humanitárias se prepararam para, aproveitando a eventual trégua, chegar a áreas inacessíveis por causa dos combates, segundo um funcionário da ONU em Genebra.
O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse ter preparado a distribuição de cestas de emergência a até 13 mil famílias em Homs e Hassaka (nordeste).











