Nobel de Literatura é declarado 'persona non grata' em Sarajevo
O escritor apoiou o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic e nega o genocídio de 1995 na cidade bósnia de Srebrenica
Internacional|Do R7

Sarajevo, a capital da Bósnia, declarou o escritor austríaco Peter Handke, ganhador do Nobel de Literatura de 2019, "persona non grata", nesta quarta-feira (11), por apoiar o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic e negar o genocídio de 1995 na cidade bósnia de Srebrenica.
Sarajevo foi submetida a um cerco de 43 meses de forças nacionalistas bósnio-sérvias armadas por Milosevic, que morreu em 2006, durante a guerra de 1992-1995 na esteira da separação bósnia da Iugoslávia sob comando sérvio.
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Cerca de 11 mil pessoas morreram durante o estado de sítio, ao menos 10% delas crianças, e mais de 100 mil na guerra.
A assembleia de Sarajevo adotou hoje uma declaração unânime que proclamou que Handke não é bem-vindo. Em uma entrevista recente, ele disse que poderia visitar a região sérvia autônoma pós-guerra da Bósnia no ano que vem.
"Sua possível visita à nossa terra-natal provocaria uma revolta e uma humilhação adicionais a todas as vítimas", disse a declaração, que repudiou premiar o que chamou de "contestador do genocídio" com o Nobel de Literatura deste ano.
Refletindo as divisões étnicas duradouras na Bósnia, Igor Radojicic, prefeito da capital de fato da entidade sérvia, Banja Luka, parabenizou Handke e o convidou para uma visita. Os nacionalistas sérvios veem Handke como um defensor de sua causa.
As autoridades de Sarajevo não podem impedir Handke de visitar o território da República Sérvia, mas a declaração lhes permitiria proibí-lo de entrar na Bósnia pela capital.











