Nova York: a corrupção que não tem fim
Internacional|Do R7
Rafael Cañas. Nova York, 10 abr (EFE).- A detenção e a acusação, na última semana, de dois grupos de autoridades políticas do estado e da cidade de Nova York voltaram a evidenciar o elevado nível de corrupção na política estadual e municipal. Essas 11 detenções representam um novo capítulo na longa lista de políticos nova-iorquinos envolvidos em casos de corrupção, o que despertou novas vozes pedindo leis mais rigorosas e a mudança dos sistemas de financiamento das campanhas eleitorais. Nos últimos sete anos, 31 ocupantes de cargos eleitos se viram envolvidos em escândalos de corrupção ou mau comportamento ético, desde acusações formais e detenções até condenações e renúncias, segundo dados do New York Public Interest Research Group (NYPIRG), uma organização que tenta reformar a política estadual. Nessa lista figuram indivíduos de todas as raças e grupos étnicos, homens e mulheres, jovens e pessoas mais velhas, o que mostra que o problema é muito amplo. "A política de Nova York sempre esteve marcada pelo dinheiro", assinala à Agência Efe Bill Mahoney, um analista do NYPIRG que lamenta que "há muitos interesses especiais" implicados na política estadual, sobretudo na Big Apple. No estado de Nova York, as leis sobre financiamento das campanhas eleitorais "são incrivelmente débeis", critica Lawrence Nordan, subdiretor do Centro Brennan para o Progresso da Democracia, da New York University. Nordan considera que em Albany, a capital do estado e sede das instituições, "há um problema de mentalidade", já que a influência dos interesses dos poderosos no financiamento das campanhas é muito maior que nos postos nacionais, o que coloca os cargos eleitos nas mãos de empresários. Esse professor universitário acredita que os novos escândalos irão gerar um movimento para reformar o comportamento das câmaras estaduais; caso contrário, há o risco de os cidadãos perderem interesse na política porque "pensarão que não se pode fazer nada". No último dia 2, o ex-presidente do Senado estadual Malcolm Smith; um vereador do bairro nova-iorquino do Queens, Dan Halloran, e vários representantes do Partido Republicano na Big Apple foram detidos e acusados pelas autoridades federais. Segundo o auto de acusação, Smith, um promotor imobiliário e construtor do Partido Democrata, teria subornado Halloran e republicanos no Queens e no Bronx para que eles o ajudassem a ser o candidato republicano a prefeito de Nova York nas eleições de novembro. Na quinta-feira foi a vez do congressista estadual Eric Stevenson, do Bronx, detido e acusados junto a vários empresários que supostamente teriam desembolsado mais de US$ 20 mil para que ele apresentasse uma medida legislativa a favor dos seus negócios. Essas detenções provocaram a renúncia de outro legislador local, o dominicano Nelson Castro, que colaborara com a investigação federal em troca do encerramento de outros casos judiciais contra ele e sob o compromisso de deixar o seu cargo. O governador do estado, Andrew Cuomo, assinalou após todos esses casos que as novas acusações "são horrorosas" e pediu severidade para que os acusados respondam perante a Justiça. "Cada vez é mais difícil evitar a triste conclusão de que a corrupção política em Nova York é uma rampa e que a cultura do dinheiro fácil em Albany está viva", assinalou o promotor federal Preet Bharara, ao anunciar as acusações. De acordo com Bill Mahoney, além do poder corruptor do dinheiro, os distritos municipais e estaduais estão configurados de modo que são "seguros" para a vitória de um determinado candidato, com vantagem para os aspirantes à reeleição, de modo que algumas autoridades acabam sentindo-se imunes e acreditam que podem fazer o que quiserem. Como disse o ainda senador estadual Smith em uma das conversas gravadas por testemunhas, "se metade das pessoas em Albany fosse surpreendida, provavelmente acabaria" na prisão. EFE rcf/pa











