Novo chefe da diplomacia da UE teve problemas recentes com Rússia
Em entrevista a um jornal espanhol, Borrell chamou a Rússia de 'velho inimigo' e de 'ameaça' para a Europa e gerou desconforto entre dois países
Internacional|Da EFE

Indicado nesta terça-feira (2) para assumir o cargo de Alto Representante da Política Externa da União Europeia (UE), o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Josep Borrell, se desentendeu recentemente com o governo da Rússia, país com quem terá que se relacionar para melhorar as tensas relações entre Bruxelas e Moscou.
Em entrevista ao jornal espanhol El Periódico, Borrell chamou a Rússia de "velho inimigo" e de "ameaça" para a Europa. As declarações motivaram a convocação por parte do Kremlin embaixador do país em Moscou, Fernando Valderrama, como forma de protesto.
"Temos um novo mundo que não poderíamos imaginar há cinco anos. Trump não era presidente, não havia Brexit. Muitas coisas mudaram. Nosso velho inimigo, a Rússia, volta a dizer 'aqui estou eu', volta a ser uma ameaça, e a China aparece como um rival", disse Borrell na entrevista.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ter ficado surpreso e decepcionado com as declarações, uma afirmação que gerou mal-estar entre representatnes do governo da Espanha, que consideraram que o Kremlin exagerou na reação.
Até o presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou o caso em entrevista recente aos diretores das principais agências de notícias do mundo, entre eles o presidente da Agência Efe, Fernando Garea. O tom não foi nada cordial com Borrell.
"Ele já não é ministro das Relações Exteriores, mas um destacado político dos nossos tempos. Em qualquer caso, ele quer se parecer assim. Falar de ameaça por parte da Rússia à Espanha, que está no outro extremo do continente europeu, é um desvario", disse Putin.
Agora, caso seja aceito pela candidata à presidência da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, e aprovado pela Eurocâmara, Borrell passará a ser o alto representante para a Política Externa da UE, tendo que lidar diretamente com o governo da Rússia.
São vários os casos recentes que colocaram europeus e russos em lados opostos: a ingerência do Kremlin em eleições no continente, escândalos de espionagem, a morte do ex-espião Sergei Skripal no Reino Unido e, sobretudo, as sanções do bloco às atividades da Rússia no leste da Ucrânia.
Putin tem manifestado o desejo de melhorar as relações com a Europa, chegou a receber nos últimos meses o apoio de Áustria e Itália, mas não está disposto a ceder aos desejos do bloco.
O próprio presidente russo resumiu a postura que adotará após uma reunião com a quase ex-primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, durante a cúpula do G20.
"Não temos a intenção de realizar ações agressivas contra ninguém, mas sempre trataremos nossos aliados de maneira proporcional ao tratamento que recebemos deles", disse Putin.












