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Novo governo de Israel mostra quando a democracia pode agir contra a paz

Após longa negociação, parlamento israelense conseguiu formar um novo governo, mas quem saiu ganhando foi a extrema direita

Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

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Estudante israelense mostra a bandeira do país durante manifestação na universidade de Ariel, localizada em território palestino
Estudante israelense mostra a bandeira do país durante manifestação na universidade de Ariel, localizada em território palestino

O Ocidente frequentemente defende os valores democráticos como norteadores para uma sociedade mais igualitária e pacífica. Entretanto, a escolha de um líder da extrema direita para comandar o ministério israelense responsável pelos polêmicos assentamentos na Cisjordânia é um claro exemplo de que, às vezes, a democracia é contra a paz.

Após sete semanas de complicadas negociações, o premiê israelense reeleito Benjamin Netanyahu consolidou na sexta-feira (15) uma base parlamentar que viabilizou a governabilidade do país.


Depois de tanto tempo, a notícia foi considerada uma vitória, já que o impasse político poderia parar a administração pública local, algo que obrigaria a organização de novas eleições.

Mas os resultados finais das negociações mostram que, para formar uma base governista funcional, Netanyahu teve que ceder a grupos de extrema direita.


Um dos beneficiados foi o partido Habait Hayhudi, que faturou um dos ministérios mais estratégicos nas negociações de paz com os palestinos. Uri Ariel, líder do partido, assumiu o Ministério da Construção e Habitação — que lida com a polêmica ocupação de áreas reivindicadas para um futuro Estado palestino, além da construção dentro do território israelense.

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Com o avanço do reconhecimento da Autoridade Nacional Palestina como um Estado, que em novembro de 2012 passou de “entidade observadora” para “Estado observador não membro” da ONU, e a relativa pacificação da Cisjordânia, o maior entrave do lado palestino para um acordo de paz é a aceitação, por parte dos árabes, de que Israel é um Estado judeu.

Por outro lado, o maior obstáculo israelense para que os palestinos se sentem à mesa de negociações é a intermitente construção de assentamentos judeus em territórios que, segundo resolução da ONU de 1967, pertencem aos palestinos.

Ou seja, um dos assuntos mais polêmicos da relação entre israelenses e palestinos, a colonização judia dos territórios palestinos ocupados, está nas mãos de um dos maiores incentivadores das construções, entrave fundamental ao processo de paz.

Infelizmente, os embates políticos do congresso israelense acabaram entregando, democraticamente, um dos temas mais sensíveis ao diálogo bilateral para um grupo notório pela sua intolerância e intransigência, características estas, diga-se, bem pouco democráticas.

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