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Novo governo de Taiwan enfrentará sérios desafios e baixa popularidade

Internacional|Do R7

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Francisco Luis Pérez. Taipé, 7 fev (EFE).-A renúncia do primeiro-ministro de Taiwan, Sean Chen, e de seus ministros de governo nesta quinta-feira abre passagem para a formação de um novo Executivo que vai enfrentar sérios desafios políticos e econômicos, além de um baixo índice de popularidade. O novo chefe de governo escolhido é Jiang Yi-huah, até o momento vice-primeiro-ministro, que já anunciou sua nova equipe ministerial, na qual o até agora ministro dos Transportes e Comunicações, Mao Chi-kuo, será o novo vice-primeiro-ministro. Os atuais ministros do Interior, Relações Exteriores, Defesa Nacional, Finanças, Educação, Cultura e Justiça mantêm seus cargos no novo Gabinete que será empossado no dia 18 de fevereiro, primeiro dia de trabalho após as férias do Ano Novo Lunar. A nova equipe econômica será composta por Chang Chia-juch, presidente da China Airlines, que vai substituir Shih Iene-shiang como ministro da Economia, e pelo até agora ministro sem pasta Kuan Chung-ming que será chefe do Conselho para o Planejamento e o Desenvolvimento Econômico. O governo de Sean Chen enfrentou protestos por conta do aumento das tarifas de energia elétrica e dos combustíveis, além do uso da energia nuclear, da possível quebra de um sistema previdenciário muito desigual para empregados públicos e privados, entre outros temas. Taiwan vive uma nova relação econômica com a China, após a assinatura do Acordo Marco de Cooperação Econômica (AMCE) em junho de 2010, similar a um tratado de livre-comércio, que vem sendo desenvolvido e aprofundado, com importantes consequências sociais. O novo Gabinete terá que negociar a liberalização financeira com a China em futuros diálogos comerciais, estará sob muita pressão para assinar tratados comerciais com outros países e para se integrar em blocos regionais, segundo Wu Chung-shu, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Chung-Hua. A importância da China para os investimentos externos taiuaneses, suas exportações e as receitas geradas pelo turismo, impulsionam Taiwan rumo a uma integração econômica que muitos veem como um perigo para a autonomia política e social da ilha. O novo governo deverá conduzir uma nova etapa de negociações para expandir e aprofundar o AMCE e será observado de perto pelos setores independentistas de Taiwan, pelo novo governo chinês e por seus principais parceiros internacionais, como os Estados Unidos. No plano político interno, o novo Gabinete enfrenta a reforma do sistema previdenciário, que esteve à beira do colapso, além de favorecer o setor público sobre o setor privado. A oposição enfrentada pelo início das operações da quarta usina nuclear do país, já quase acabada, será outro desafio, já que Taiwan é totalmente dependente de fontes externas de energia e o setor empresarial da ilha necessita de eletricidade barata para manter a competitividade de suas indústrias. No campo econômico, a ilha procura evitar a marginalização comercial internacional, com a assinatura de acordos comerciais com os EUA e outros países, no meio as pressões e exigências chinesas que contam com oposição interna. Washington exige de Taiwan a abertura de seu mercado para a carne de porco americana, que contém traços do aditivo químico ractopamina, proibido em muitos países, como condição para reiniciar negociações comerciais. No campo estratégico, Taiwan continua sob a ameaça militar de centenas de mísseis chineses, apesar da aproximação econômica entre as duas partes, e está envolvida nas disputas territoriais dos mares da China Oriental e Meridional. O novo Gabinete terá que administrar um difícil equilíbrio entre a manutenção da dignidade nacional e as reivindicações de soberania, além de não criar conflitos com a China, com o Japão e menos ainda com seu principal aliado militar, os EUA. EFE flp/rpr

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