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Novo governo de Tsipras será mais 'fácil', dizem especialistas

Premiê deve ter período menos conturbado à frente da Grécia

Internacional|Da ANSA

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Especialista acredita que haverá uma "maior homogeneidade no sentido de apoiar a continuação de implementação"
Especialista acredita que haverá uma "maior homogeneidade no sentido de apoiar a continuação de implementação"

No último final de semana, os gregos resolveram dar uma "segunda chance" ao governo do partido de extrema esquerda Syriza para comandar o país nos próximos anos.

Com a promessa do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, de ter um mandato "mais estável e duradouro", especialistas acreditam que esse novo período político para a Grécia, chancelado pela vontade das urnas, será mais "fácil" do que os primeiros sete meses de gestão — marcado pela assinatura de um novo pacote de ajuda financeira dos credores (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).


"Antes, talvez, membros do governo e do Syriza estavam se perguntado se eles tinham um mandato popular para implantar esse tipo de medida, mas agora o eleitorado escolheu esse governo consciente de que vai ter a implementação desse acordo e então seja mais fácil de fazer isso", ressalta a coordenadora do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, a grega Elena Lazarou.

Apesar de reconhecer que a sigla tem "diferentes níveis de apoio para essas novas medidas", a especialista acredita que haverá uma "maior homogeneidade no sentido de apoiar a continuação de implementação" de tudo que for necessário e acordado com os europeus.


Já para o professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília, Ricardo Caldas, Tsipras aprendeu com seus primeiros meses de governo que "os amigos podem ser seus maiores inimigos". Para o mestre, o premier se mostrou muito "hábil no poder ao convocar as novas eleições" e foi muito mais "moderado" à frente do governo do que tudo indicava.

Com discurso antiausteridade, o líder do Syriza venceu com folga as eleições governamentais de janeiro, prometendo que seu governo não faria concessões ou acordos com a União Europeia.


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Porém, ao longo dos oito meses de seu mandato, a realidade foi bem diferente. Tsipras viu seu partido se dividir por ter aceitado fechar um novo financiamento da Europa, no valor de 85 bilhões de euros, e por ter aceitado mais medidas de austeridade para a população.


Contudo, quando precisou passar as medidas pelo Parlamento grego, o premier contou mais com o apoio da oposição do que da ala radical do Syriza.

Para Lazarou, essa demonstração — especialmente dos conservadores do Nova Democracia — mostrou que a maioria dos políticos irá ajudar na implantação dos requisitos solicitados pelos credores.

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"Acredito que há a vontade de implantar o acordo, a única diferença que vai existir é no jeito de implementar as medidas.

Como o governo é mais esquerdista que a oposição, eu entendo que ele vai querer proteger mais o público enquanto, em uma abordagem mais liberal, quer proteger as empresas. É uma grande diferença, mas com os dois inserindo o acordo porque a não implementação significa mais problemas econômicos no longo prazo", destaca.

Grexit

Antes de finalizar um novo programa de ajuda financeira, muito foi falado de que a Grécia poderia deixar a zona do euro, a chamada "Grexit". Com a assinatura do pacto, o assunto esfriou.

Porém, segundo Caldas, o termo poderá voltar aos holofotes caso a população grega comece a achar que a assinatura do acordo não foi realmente vantajosa.

"A Grécia tem problemas estruturais grandes para pertencer ao euro e pode ser que isso surja no médio prazo, se o acordo não der resultados até o fim do ano ou a metade do ano que vem. Numa comparação, a Grã-Bretanha vive muito bem fora do euro e assim como eles, a Grécia deve continuar na União Europeia", destacou.

E essa discussão pode ser causada, justamente, pelo estilo de Tsipras. O professor destaca que, diferentemente dos antecessores no cargo, o premier não é um "europeísta". Caldas afirma que, por toda a habilidade mostrada pelo primeiro-ministro durante a primeira parte de seu governo, o assunto poderá voltar à tona através de um novo referendo popular.

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