Novo homem forte centro-africano reincorpora o primeiro-ministro
Internacional|Do R7
O advogado centro-africano Nicolas Tiangaye foi reincorporado nesta quarta-feira em suas funções de primeiro-ministro pelo no novo homem forte da República Centro-africana, Michel Djotodia, três dias após a derrubada pela rebelião do presidente François Bozizé.
"Fui reconduzido como primeiro-ministro, o decreto foi assinado", anunciou à AFP Nicolas Tiangaye. Ele prometeu formar um governo que represente todas as tendências, "com base dos acordos políticos de Libreville".
O advogado e ex-opositor dirigia um governo de união nacional há dois meses em Bangui, em aplicação ao acordo de paz assinado em 11 de janeiro em Libreville, entre os partidários do presidente Bozizé, a rebelião e a oposição.
Em razão do não-respeito a este acordo, os rebeldes do Seleka ("aliança" em sango) lançaram no final da semana passado uma nova ofensiva que terminou vitoriosa, o que obrigou o presidente no poder há 10 anos a fugir para Camarões.
Desde domingo, o líder rebelde Michel Djotodia se tornou o novo chefe do país. Ele declarou na segunda-feira que dirigiria o país por três anos, até a organização de novas eleições. Anunciando a dissolução da Assembleia Nacional, indicou que "irá legislar por decreto".
Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro justificou esta situação, considerando ser "juridicamente impossível" manter a Constituição na situação atual. "Ela precisará ser restabelecida em três anos", acrescentou.
Tiangaye pediu que a comunidade internacional, que condenou o golpe, continue a ajudar seu país, que está entre os mais pobres do mundo, apesar de suas riquezas ainda não exploradas. "Sem a comunidade internacional, não poderemos viver".
Terça-feira, Washington denunciou a "auto-proclamação como presidente" de Djotodia e considerou "inaceitáveis" os muitos saques no país.
Os Estados Unidos planejam um congelamento de 2,2 milhões de dólares em ajuda americana para o financiamento de treinamentos militares e programas de luta contra o tráfico. Contudo, a ajuda humanitária de 22 milhões de dólares não será afetada.
A situação no país também foi evocada no Vaticano. O Papa Francisco pediu o cessar imediato da violência e dos saques na República Centro-africana, no primeiro pedido pela paz que faz na Praça de São Pedro
Em Bangui, a eletricidade foi restabelecida e a atividade econômica está sendo retomada lentamente, mesmo se os habitantes se impacientam frente a escassez de produtos.
Os rebeldes do Seleka, entre os quais "crianças-soldados", continuam a patrulhar a capital junto aos membros da Força Multinacional da África Central (Fomac).
"Estamos começando a enviar os membros do Seleka às casernas", anunciou Tiangaye. "Muitas pessoas, algumas se passando por membros do Seleka, circulam pela cidade aterrorizando a população, além disso os bandidos se misturaram agravando a situação", declarou.
"Todos os homens armados devem se identificar até as 18H00", anunciou por sua vez o porta-voz do Seleka, Christophe Gazam Betty. "Todos que não o fizerem enfrentarão a lei", ameaçou.
O balanço da violência ainda não foi estabelecido. A Cruz-Vermelha fala de um "grande número de feridos e mortos".
François Bozizé, que chegou ao poder mediante as armas em 2003, está atualmente em um hotel em Yaoundé, mas as autoridades camaronesas desejam que ele "parta o mais rápido possível para um outro país".
O restante de sua família está na República Democrática do Congo.
A República Centro-africana, uma ex-colônia francesa, vive desde sua independência em 1960 uma séria de golpes de Estado, eleições fraudulentas, rebeliões e motins.
Este país potencialmente rico (agricultura, floresta, urânio, diamantes...), cujos cinco milhões de habitantes continuam muito pobres, está entre os seis países mais pobres do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano.
pgf-cl/lbx/jpc/mr













