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Novo plano de retirada das tropas expõe tensões entre os EUA e o Afeganistão

Obama está decidido a por fim ao compromisso militar no Afeganistão no final de 2014, como parte do projeto prioritário de conclusão das guerras no exterior

Internacional|Do R7

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O presidente está decidido a por fim ao compromisso militar no Afeganistão no final de 2014
O presidente está decidido a por fim ao compromisso militar no Afeganistão no final de 2014

Novos sinais emergiram nesta terça-feira (9) da frustração de Washington com o presidente afegão, Hamid Karzai, com um relatório no qual os Estados Unidos estudam a possibilidade de apressar a retirada de suas tropas ou até de não manter qualquer força militar no país asiático após 2014.

O jornal "The New York Times" afirma que as duas opções estão sendo seriamente consideradas, depois de uma tensa videoconferência entre Obama e Karzai no final do mês passado.


Não está claro, porém, se a informação está sendo usada pelo governo para pressionar Karzai diante da controvérsia com a Casa Branca sobre o diálogo com os talibãs.

A ideia de uma "opção zero", ou seja, de não deixar tropas, foi sugerida no início do ano pelo assessor assistente de Segurança Nacional americana, Ben Rhodes. O comentário foi interpretado como uma forma de pressionar Karzai, no momento em que Washington e Cabul tentavam negociar um tratado sobre questões de segurança pós-2014.


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É provável que também exista uma luta interna de poder em Washington, já que Casa Branca e Pentágono frequentemente diferem sobre o número de tropas e o ritmo da retirada desde o início da administração Obama.

O presidente está decidido a por fim ao compromisso militar no Afeganistão no final de 2014, como parte do projeto prioritário de sua administração de concluir as guerras no exterior. Além disso, seu governo negocia com Karzai para deixar uma força "residual", a fim de enfrentar uma eventual ameaça terrorista e treinar forças afegãs.


Embora nunca tenha sido boa e se mantenha volátil, a relação de Washington com Karzai se deteriorou novamente no mês passado, em função das negociações de paz de enviados americanos com os talibãs em Doha.

No domingo, Cabul anunciou que as conversas sobre a presença de tropas americanas no Afeganistão após 2014 poderão ser retomadas depois que os representantes do Talibã se reunirem com negociadores de Karzai. O presidente afegão se enfureceu quando os talibãs abriram um escritório na capital do Catar, escolhida para as negociações e depois anunciada como se fosse a embaixada de um governo afegão alternativo.

Para acalmar a situação, Obama teve uma videoconferência com Karzai em 27 de junho, mas o resultado foi negativo, segundo o "Times", que cita fontes americanas e afegãs. Segundo essa fontes, Karzai acusou os Estados Unidos de tentarem negociar a paz em separado, tanto com o Talibã quanto com seus aliados no Paquistão. Karzai alega que essa dinâmica deixará seu país exposto a vizinhos hostis.

Funcionários americanos de alto escalão disseram que ainda não foi tomada uma decisão final sobre o contingente que permanecerá depois de 2014 e que Washington ainda tenta chegar a um acordo com Cabul sobre uma futura presença da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para fortalecer a segurança.

As dificuldades apenas aumentam nas instâncias de negociação, afirma o NYT, que atribui a informação a fontes do governo americano e de países europeus.

"Sempre houve uma opção zero, mas não era vista como a principal", declarou uma autoridade ocidental em Cabul, segundo "Times".

"Agora, está se tornando uma delas e está sendo ouvida de algumas pessoas em Washington. Agora pode ser vista como um caminho realista", completou a mesma fonte.

Esse funcionário disse esperar que os afegãos também comecem a se dar conta de que a opção zero é uma possibilidade real.

No governo, muitos podem ver um avanço político no fato de não deixar militares americanos em risco no Afeganistão, depois que a guerra mais longa já enfrentada pelos Estados Unidos chegar ao fim.

Alguns especialistas em segurança duvidam, porém, que as incipientes Forças Armadas afegãs consigam enfrentar os talibãs sozinhas. Advertem ainda que os esforços americanos para eliminar os remanescentes da rede Al-Qaeda nas voláteis regiões tribais do Paquistão podem ser comprometidas sem as forças da Otan no lado afegão da fronteira.

Segundo os planos atuais, metade dos 68 mil soldados americanos instalados no Afeganistão devem partir em fevereiro e, em consequência, o recém-formado Exército afegão e a polícia assumirão a liderança no campo de batalha.

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